Função da palavra COMO
Conjunção Subordinativa Causal
Introduz orações que dão idéia de causa. Equivalente a porque, é usado no início da frase.
Ex1: Como estive doente, não compareceu ao serviço.
Ex2: Como passou mal, não foi a festa.
Conjunção Subordinada Comparativa
Introduz orações que exprimem o segundo elemento de uma comparativa, equivale a quanto, é precedido de tanto, tão,...
Ex1: Ela é tal como me disseram.
Ex2: Você o conhece tão bem como eu.
Conjunção Subordinativa Conformativa
Introduz orações que exprimem conformidade de um fato com outro, equivale a conforme.
Ex1: Fizemos o trabalho como o professor pediu.
Ex2: Em certas situações, devemos agir como manda nossa consciência.
Pronome Relativo
Possui um antecedente que dá idéia de "modo": maneira, jeito, forma,...
Ex1: Este foi o único modo como ele fez o trabalho.
Ex2: Esta é a maneira como faço o meu serviço.
Substantivo
Através da derivação imprópria (conversão) a palavra como muda de classe gramatical e passa a ser sujeito.
Ex1: Não sei o como de tudo isso.
Ex2: Diga-me o como daquilo.
Advérbio Interrogativo
O advérbio interrogativo como (de modo) pode aparecer tanto nas interrogativas diretas quanto nas indiretas.
Ex1: Não sei como resolver o problema.
Ex2: Como resolver o problema?
Preposição
Aparece como preposição acidental por ser proveniente de outra classe gramatical, geralmente equivale a "por"
Ex1: Obtiveram como resposta o bilhete.
Ex2: Os ganhadores tiveram como prêmio uma medalha de ouro.
Interjeição
Classifica-se como interjeição devido além da classe gramatical como também devido o seu tom exclamativo
Ex1: Como você não!
Ex2: Como é assim e acabou!
Advérbio de modo
Aparece em frases não interrogativas e sem antecedente.
Ex1: Não sei como você veio.
Ex2: Gosto como você se veste.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Diferença entre oração subordinada adverbial causal e coordenada sindética explicativa
Somente uma sugestão que pode facilitar a compreensão. Logicamente não dará certo sempre!!
É difícil, às vezes, distinguir uma oração subordinada adverbial causal de uma oração coordenada sindética explicativa. Eis alguns artifícios que podem auxiliar na distinção desses dois tipos de oração:
a) Geralmente, a oração que antecede a oração coordenada explicativa tem o verbo no modo imperativo.
"Fiquem quietos, que o professor já vem."
Verbo no imperativo: fiquem.
Oração coordenada sindética explicativa: que o professor já vem.
b) A oração subordinada adverbial causal pode ser colocada no início do período, introduzida pela conjunção como, o que não ocorre com a coordenada sindética explicativa:
"Não vim à aula PORQUE ESTAVA DOENTE."
"COMO ESTAVA DOENTE, não vim à aula."
É difícil, às vezes, distinguir uma oração subordinada adverbial causal de uma oração coordenada sindética explicativa. Eis alguns artifícios que podem auxiliar na distinção desses dois tipos de oração:
a) Geralmente, a oração que antecede a oração coordenada explicativa tem o verbo no modo imperativo.
"Fiquem quietos, que o professor já vem."
Verbo no imperativo: fiquem.
Oração coordenada sindética explicativa: que o professor já vem.
b) A oração subordinada adverbial causal pode ser colocada no início do período, introduzida pela conjunção como, o que não ocorre com a coordenada sindética explicativa:
"Não vim à aula PORQUE ESTAVA DOENTE."
"COMO ESTAVA DOENTE, não vim à aula."
Diferenças entre a concessiva e adversativa
Diferenças entre a concessiva e adversativa
(Sintaxe )
A oração adverbial concessiva e a coordenada adversativa mantêm uma relação de oposição entre duas idéias. Seu uso é próprio da argumentação.
Conjunções e locuções concessivas: embora, apesar de, mesmo que, conquanto, ainda que, se bem que, posto.
Conjunções adversativas: mas , porém, contudo, todavia , entretanto, no entanto. Não existe "no entretanto".
Apesar desta semelhança , apresentam diferença entre si . Usarei um exemplo para explicar:
1) "O trabalho dignifica a pessoa, mas a consome por completo." A conjunção "mas" une duas idéias contrárias. Apresenta uma crítica ao trabalho.
2) "O trabalho consome a pessoa por completo, mas a dignifica." Apresenta uma visão positiva do trabalho.
Se for usada a conjunção concessiva " embora", o período ficaria assim : "Embora o trabalho dignifique a pessoa , ele a consome por completo". A concessiva se prende à idéia menos importante no interior da oposição entre as duas.
Pode-se também inverter: "Embora o trabalho consuma a pessoa por completo, ele a dignifica".
Resumindo: a oração coordenada sindética adversativa apresenta a idéia mais importante da oposição. A oração adverbial concessivas a idéia menos importante da oposição.
(Sintaxe )
A oração adverbial concessiva e a coordenada adversativa mantêm uma relação de oposição entre duas idéias. Seu uso é próprio da argumentação.
Conjunções e locuções concessivas: embora, apesar de, mesmo que, conquanto, ainda que, se bem que, posto.
Conjunções adversativas: mas , porém, contudo, todavia , entretanto, no entanto. Não existe "no entretanto".
Apesar desta semelhança , apresentam diferença entre si . Usarei um exemplo para explicar:
1) "O trabalho dignifica a pessoa, mas a consome por completo." A conjunção "mas" une duas idéias contrárias. Apresenta uma crítica ao trabalho.
2) "O trabalho consome a pessoa por completo, mas a dignifica." Apresenta uma visão positiva do trabalho.
Se for usada a conjunção concessiva " embora", o período ficaria assim : "Embora o trabalho dignifique a pessoa , ele a consome por completo". A concessiva se prende à idéia menos importante no interior da oposição entre as duas.
Pode-se também inverter: "Embora o trabalho consuma a pessoa por completo, ele a dignifica".
Resumindo: a oração coordenada sindética adversativa apresenta a idéia mais importante da oposição. A oração adverbial concessivas a idéia menos importante da oposição.
Diferença entre adjunto adnominal e complemento nominal
Há nomes que, por não terem sentido completo, exigem um termo para completá-los. Esse termo é chamado complemento nominal e inicia-se sempre por preposição.
Exemplos:
Impedimos a derrubada da mata.
DERRUBADA: nome incompleto (substantivo)
DA MATA: complemento nominal
Você é igual a ele.
IGUAL: nome incompleto (adjetivo)
A ELE: complemento nominal
Todos tiveram medo do ladrão.
MEDO: nome incompleto (substantivo)
DO LADRÃO: complemento nominal
OBSERVAÇÃO. O adjunto adnominal pode, às vezes, ser iniciado por preposição.
Exemplo: A casa de madeira caiu.
O complemento nominal sempre é iniciado por preposição. Isso pode gerar, em certas frases, sérias dúvidas quanto à função do termo em estudo.
Assim, quando um termo estiver se referindo a um nome e estiver iniciado por preposição, ele será ou adjunto adnominal ou complemento nominal. Para distinguir um do outro, é conveniente usar, como critério auxiliar da análise, as orientações seguintes:
Principais diferenças entre o complemento nominal e o adjunto adnominal.
1.ª diferença:
O adjunto adnominal só se refere a substantivos (tanto concretos como abstratos).
O complemento nominal refere-se a substantivos (só abstratos), a adjetivos e a advérbios.
2.ª diferença:
O adjunto adnominal pratica a ação expressa pelo nome a que se refere.
O complemento nominal recebe a ação expressa pelo nome a que se refere.
3.ª diferença:
O adjunto adnominal pode indicar posse.
O complemento nominal nunca indica posse.
Exemplos de aplicação dos critérios acima:
As ruas de terra serão asfaltadas.
RUAS: nome (substantivo)
DE TERRA é adjunto adnominal ou complemento nominal?
Note que DE TERRA refere-se ao nome RUAS, que é um substantivo concreto (considerando a classe gramatical). Pelo 1.º critério, podemos concluir que DE TERRA só pode ser adjunto adnominal, pois o complemento nominal não se refere a substantivo concreto. Então, DE TERRA: adjunto adnominal.
A rua é paralela ao rio.
PARALELA: nome (adjetivo)
AO RIO: complemento nominal ou adjunto adnominal?
O termo AO RIO está se referindo a PARALELA, que é um adjetivo (considerando a classe gramatical). Usando o 1.º critério, podemos concjuir eu ao rio só pode ser complemento nominal, já que o adjunto adnominal nunca se refere a adjetivo.
As críticas ao diretor eram infundadas.
CRÍTICAS: nome (substantivo)
AO DIRETOR: complemento nominal ou adjunto adnominal?
Observe que CRÍTICAS expressa uma ação (ação de criticar). O termo AO DIRETOR é que recebe as críticas (o diretor é criticado). Usando o segundo critério, podemos concluir que AO DIRETOR é um complemento nominal.
As críticas do diretor eram infundadas.
CRÍTICAS: nome (substantivo)
Agora, o termo DO DIRETOR é adjunto adnominal, pois ele pratica a ação expressa pelo nome CRÍTICAS.
Do livro Novo Manual Nova Cultural – Redação, Gramática e Literatura. Professores: Emília Amaral, Severino Antônio e Mauro Ferreira do Patrocínio.
Exemplos:
Impedimos a derrubada da mata.
DERRUBADA: nome incompleto (substantivo)
DA MATA: complemento nominal
Você é igual a ele.
IGUAL: nome incompleto (adjetivo)
A ELE: complemento nominal
Todos tiveram medo do ladrão.
MEDO: nome incompleto (substantivo)
DO LADRÃO: complemento nominal
OBSERVAÇÃO. O adjunto adnominal pode, às vezes, ser iniciado por preposição.
Exemplo: A casa de madeira caiu.
O complemento nominal sempre é iniciado por preposição. Isso pode gerar, em certas frases, sérias dúvidas quanto à função do termo em estudo.
Assim, quando um termo estiver se referindo a um nome e estiver iniciado por preposição, ele será ou adjunto adnominal ou complemento nominal. Para distinguir um do outro, é conveniente usar, como critério auxiliar da análise, as orientações seguintes:
Principais diferenças entre o complemento nominal e o adjunto adnominal.
1.ª diferença:
O adjunto adnominal só se refere a substantivos (tanto concretos como abstratos).
O complemento nominal refere-se a substantivos (só abstratos), a adjetivos e a advérbios.
2.ª diferença:
O adjunto adnominal pratica a ação expressa pelo nome a que se refere.
O complemento nominal recebe a ação expressa pelo nome a que se refere.
3.ª diferença:
O adjunto adnominal pode indicar posse.
O complemento nominal nunca indica posse.
Exemplos de aplicação dos critérios acima:
As ruas de terra serão asfaltadas.
RUAS: nome (substantivo)
DE TERRA é adjunto adnominal ou complemento nominal?
Note que DE TERRA refere-se ao nome RUAS, que é um substantivo concreto (considerando a classe gramatical). Pelo 1.º critério, podemos concluir que DE TERRA só pode ser adjunto adnominal, pois o complemento nominal não se refere a substantivo concreto. Então, DE TERRA: adjunto adnominal.
A rua é paralela ao rio.
PARALELA: nome (adjetivo)
AO RIO: complemento nominal ou adjunto adnominal?
O termo AO RIO está se referindo a PARALELA, que é um adjetivo (considerando a classe gramatical). Usando o 1.º critério, podemos concjuir eu ao rio só pode ser complemento nominal, já que o adjunto adnominal nunca se refere a adjetivo.
As críticas ao diretor eram infundadas.
CRÍTICAS: nome (substantivo)
AO DIRETOR: complemento nominal ou adjunto adnominal?
Observe que CRÍTICAS expressa uma ação (ação de criticar). O termo AO DIRETOR é que recebe as críticas (o diretor é criticado). Usando o segundo critério, podemos concluir que AO DIRETOR é um complemento nominal.
As críticas do diretor eram infundadas.
CRÍTICAS: nome (substantivo)
Agora, o termo DO DIRETOR é adjunto adnominal, pois ele pratica a ação expressa pelo nome CRÍTICAS.
Do livro Novo Manual Nova Cultural – Redação, Gramática e Literatura. Professores: Emília Amaral, Severino Antônio e Mauro Ferreira do Patrocínio.
Pontuação
PONTUAÇÃO
(Celso Cunha )
I - Introdução: sinais pausais e sinais melódicos
A língua escrita não dispõe dos inumeráveis recursos rítmicos e melódicos da língua falada. Para suprir esta carência, ou melhor, para reconstituir aproximadamente o movimento vivo da elocução oral, serve-se da PONTUAÇÃO.
Os sinais de pontuação podem ser classificados em dois grupos:
O primeiro grupo compreende os sinais que, fundamentalmente, se destinam a marcar as PAUSAS:
a) a VÍRGULA (,)
b) o PONTO (.)
c) o PONTO-E-VÍRGULA (;)
O segundo grupo abarca os sinais cuja função essencial é marcar a MELODIA, a ENTONAÇÃO:
a) os DOIS PONTOS (:)
b) o PONTO DE INTERROGAÇÃO (?)
c) o PONTO DE EXCLAMAÇÃO (!)
d) as RETICÊNCIAS (...)
e) as ASPAS (" ")
f) os PARÊNTESES ( ( ) )
g) os COLCHETES ( [ ] )
h) o TRAVESSÃO (--)
II - Sinais que marcam sobretudo a pausa
1. a VÍRGULA (,)
A VÍRGULA marca uma pausa de pequena duração. Emprega-se não só para separar elementos de uma oração, mas também orações de um só período.
1.1. Emprego da vírgula no interior da oração
No INTERIOR DA ORAÇÃO a vírgula serve
1º) Para separar elementos que exercem a mesma função sintática (sujeito composto, complementos, adjuntos), quando não vêm unidos pelas conjunções e, ou e nem.
Exemplos:
As nuvens, as folhas, os ventos não são deste mundo. (A. MAYER)
Ela tem sua claridade, seus caminhos, suas escadas, seus andaimes.(C. MEIRELES)
2º) Para separar elementos que exercem funções sintáticas diversas, geralmente com a finalidade de realçá-los. Em particular, a VÍRGULA é usada:
a) para isolar o aposto, ou qualquer elemento de valor meramente explicativo:
Ele, o pai, é um mágico. ( ADONIAS FILHO)
b) para isolar o vocativo:
Moço, sertanejo não se doma no brejo. (J. A. DE ALMEIDA)
c) para isolar o adjunto adverbial antecipado:
Depois de algumas horas de sono, voltei ao colégio. (R. POMPÉIA)
d) para isolar os elementos pleonástico ou repetidos:
Ficou branquinha, branquinha.
Com os desgostos humanos. (O. BILAC)
3º) Emprega-se ainda a vírgula no interior da oração:
a) para separar, na datação de um escrito, o nome do lugar:
Teófilo Otoni, 10 de maio de 1917.
b) para indicar a supressão de uma palavra (geralmente o verbo) ou de um grupo de palavras:
Veio a velhice; com ela, a aposentadoria. (H. SALES)
1.2. Emprego da vírgula entre orações
ENTRE ORAÇÕES, emprega-se a vírgula:
1º) Para separar as orações coordenadas assindéticas:
Levantava-me, passeava, tamborilava nos vidros das janelas, assobiava. (M. DE ASSIS)
2º) Para separar as orações coordenadas sindéticas, salvo as introduzidas pela conjunção e:
Cessaram as buzinas, mas prosseguia o alarido nas ruas. (A. M. MACHADO)
Observação:
1ª) Separam-se por VÍRGULA as orações coordenadas unidas pela conjunção e, quando têm sujeito diferente. Exemplo:
O silêncio comeu o eco, e a escuridão abraçou o silêncio. (G. FIGUEIREDO)
Costuma-se também separar por VÍRGULA as orações introduzidas por essa conjunção quando ela vem reiterada:
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua! (O. BILAC)
2ª) Das CONJUNÇÕES ADVERSATIVAS, mas emprega-se sempre no começo da oração; porém, todavia, contudo, entretanto e no entanto, podem vir ora no início da oração, ora após um dos seus termos. No primeiro caso, põe-se uma VÍRGULA antes da conjunção; no segundo, vem ela isolada por vírgulas. Compare-se este período de Machado de Assis:
-- Vá aonde quiser, mas fique morando conosco.
aos seguintes:
-- Vá aonde quiser, porém fique morando conosco..
-- Vá aonde quiser, fique, porém, morando conosco.
Em virtude da acentuada pausa que existe entre as orações acima, podem ser elas separadas, na escrita, por PONTO-E-VÍRGULA. Ao último período é mesmo a pontuação que melhor lhe convém:
-- Vá aonde quiser; fique, porém, morando conosco.
3ª ) Quando conjunção conclusiva, pois vem sempre posposto a um termo da oração a que pertence e, portanto, isolado por vírgulas:
Não pacteia com a ordem; é, pois, uma rebelde. (J. RIBEIRO)
As demais conjunções conclusivas (logo, portanto, por conseguinte, etc.) podem encabeçar a oração ou pospor-se a um dos seus termos. À semelhança das adversativas, escrevem-se, conforme o caso, com uma vírgula anteposta, ou entre vírgulas.
3º) Para isolar as orações intercaladas:
-- Se o alienista tem razão, disse eu comigo, não haverá muito que lastimar o Quincas Borba. (M. DE ASSIS)
4º) Para isolar as orações subordinadas adjetivas explicativas:
Pastor, que sobes o monte,
Que queres galgando-o assim? (O. MARIANO)
5º) Para separar as orações subordinadas adverbiais, principalmente quando antepostas à principal:
Quando tio Severino voltou da fazenda, trouxe para Luciana um periquito. (G. RAMOS)
6º) Para separar as orações reduzidas de gerúndio, de particípio e de infinitivo, quando equivalentes a orações adverbiais:
Não obtendo resultado, indignou-se. (G. RAMOS)
Acocorado a um canto, contemplava-nos impassível. (E. DA CUNHA)
Ao falar, já sabia da resposta. (J.AMADO)
Observações:
1º) Toda oração ou todo termo de oração de valor meramente explicativo pronunciam-se entre pausas; por isso, são isolados por vírgula, na escrita;
2º) Os termos essenciais e integrantes da oração ligam-se uns com os outros sem pausa; não podem, assim, ser separados por vírgula. Esta a razão por que não é admissível o uso da vírgula entre uma oração subordinada substantiva e a sua principal;
3º) Há uns poucos casos em que o emprego da vírgula não corresponde a uma pausa real na fala; é o que se observa, por exemplo, em respostas rápidas do tipo: Sim, senhor. Não, senhor.
2. O PONTO (.)
1. O PONTO assinala a pausa máxima da voz depois de um grupo fônico de final descendente. Emprega-se, pois, fundamentalmente, para indicar o término de uma oração declarativa, seja ela absoluta, seja a derradeira de um período composto:
Nada pode contra o poeta. Nada pode contra esse incorrigível que tão bem vive e se arranja em meio aos destroços do palácio imaginário que lhe caiu em cima. (A. M. MACHADO)
2. Quando os períodos (simples ou compostos) se encadeiam pelos pensamentos que expressam, sucedem-se uns aos outros na mesma linha. Diz-se, neste caso, que estão separados por um PONTO SIMPLES.
Observação
O PONTO tem sido utilizado pelos escritores modernos onde os antigos poriam PONTO-E-VÍRGULA ou mesmo VÍRGULA.
A música toca uma valsa lenta. O desânimo aumenta. Os minutos passam. A orquestra se cala. O vento está mais forte. (E. VERÍSSIMO).
3. Quando se passa de um grupo a outro grupo de idéias, costuma-se marcar a transposição com um maior repouso da voz, o que, na escrita, se representa pelo PONTO-PARÁGRAFO. Deixa-se, então, em branco o resto da linha em que termina um dado grupo ideológico, e inicia-se o seguinte na linha abaixo, com o recuo de algumas letras.
Assim:
Lá embaixo era um mar que crescia.
Começara a chuviscar um pouco. E o carro subia mais para o alto, com destino à casa de Amâncio, que era a melhor da redondeza. (J. L. DO REGO)
4. Ao PONTO que encerra um enunciado escrito dá-se o nome de PONTO-FINAL.
3. O PONTO-E-VÍRGULA (;)
1. Como o nome indica, este sinal serve de intermediário entre o PONTO e a VÍRGULA, podendo aproximar-se ora mais daquele, ora mais desta, segundo os valores pausais e melódicos que representa no texto. No primeiro caso, equivale a uma espécie de PONTO reduzido; no segundo, assemelha-se a uma VÍRGULA alongada.
2. Esta imprecisão do PONTO-E-VÍRGULA faz que o seu emprego dependa substancialmente de contexto. Entretanto, podemos estabelecer que, em princípio, ele é usado:
1º) Para separar num período as orações da mesma natureza que tenham certa extensão:
Todas as obras de Deus são maravilhosas; porém a maior de todas as maravilhas é a existência do mesmo Deus. (M. DE MARICÁ)
2º) Para separar partes de um período, das quais uma pelo menos esteja subdividida por VÍRGULA:
Chamo-me Inácio; ele, Benedito. (M. DE ASSIS)
3º) Para separar os diversos itens de enunciados enumerativos (em leis, decretos, portarias, regulamentos, etc.), como estes que iniciam o Artigo 1º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional:
Art. 1º A educação nacional, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por fim:
a) a compreensão dos direitos e deveres da pessoa humana, do cidadão, do Estado, da família e dos demais grupos que compõem a comunidade;
b) o respeito à dignidade e às liberdades fundamentais do homem;
c) o fortalecimento da unidade nacional e da solidariedade internacional;
d) o desenvolvimento integral da personalidade humana e a sua participação na obra do bem comum
(...)
4. Valor melódico dos sinais pausais
Dissemos que a VÍRGULA, o PONTO e o PONTO-E-VÍRGULA, marcam sobretudo -- e não exclusivamente -- a pausa. No correr do nosso estudo, ressaltamos até algumas das suas características melódicas. É o momento de sintetizá-las:
a) o PONTO corresponde sempre à final descendente de um grupo fônico;
b) a VÍRGULA assinala que a voz fica em suspenso, à espera de que o período se complete;
c) o PONTO-E-VÍRGULA denota em geral uma débil inflexão suspensiva, suficiente, no entanto, para indicar que o período não está concluído.
III - Sinais que marcam sobretudo a melodia
1. Os DOIS PONTOS (:)
Os DOIS PONTOS servem para marcar, na escrita, uma sensível suspensão da voz na melodia de uma frase não concluída. Empregam-se, pois, para anunciar:
1º) uma citação (geralmente depois de verbo ou expressão que signifique dizer, responder, perguntar e sinônimos):
Eu lhe responderia: a vida é ilusão... (A. PEIXOTO)
2º) uma enumeração explicativa:
Viajo entre todas as coisas do mundo:
homem, flores, animais, água... (C. MEIRELES)
3º) um esclarecimento, uma síntese ou um conseqüência do que foi enunciado:
Ternura teve uma inspiração: atirar a corda, laçá-la. (A. M. MACHADO)
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta. (C. MEIRELES)
Observação:
Depois do vocativo que encabeça cartas, requerimentos, ofícios, etc. costuma-se colocar DOIS-PONTOS, VÍRGULA, ou PONTO, havendo escritores que, no caso, dispensam qualquer pontuação. Assim:
Prezado senhor: Prezado senhor.
Prezado senhor, Prezado senhor
Sendo o vocativo inicial emitido com entoação suspensiva, deve ser acompanhado, preferentemente, de DOIS-PONTOS ou de VÍRGULA, sinais denotadores daquele tipo de inflexão.
2. O PONTO DE INTERROGAÇÃO (?)
1. É o sinal que se usa no fim de qualquer interrogação direta, ainda que a pergunta não exija resposta:
Sabe você de uma novidade? (A. PEIXOTO)
2. Nos casos em que a pergunta envolve dúvida, costuma-se fazer seguir de RETICÊNCIAS o PONTO-DE-INTERROGAÇÃO:
_ Então?...que foi isso?...a comadre?... (ARTUR AZEVEDO)
3. Nas perguntas que denotam surpresa, ou naquelas que não têm endereço nem resposta, empregam-se por vezes combinados o PONTO-DE-INTERROGAÇÃO E O PONTO-DE-EXCLAMAÇÃO:
Que negócio é esse: cabra falando?! (C. D. DE ANDRADE)
Observação:
O PONTO-DE-INTERROGAÇÃO nunca se usa no fim de uma interrogação indireta, uma vez que esta termina com entoação descendente, exigindo, por isso, um PONTO.
Comparem-se:
-- Quem chegou? [= INTERROGAÇÃO DIRETA]
-- Diga-me quem chegou. [= INTERROGAÇÃO INDIRETA]
3. O PONTO DE EXCLAMAÇÃO (!)
É o sinal que se pospõe a qualquer enunciado de entoação exclamativa. Emprega-se, pois, normalmente:
a) depois de interjeições ou de termos equivalentes, como os vocativos intensivos, as apóstrofes:
Oh! dias de minha infância! (C. DE ABREU)
Deus! ó Deus! onde estás que não respondes? (C. ALVES)
b) depois de um imperativo:
Coração, pára! ou refreia, ou morre! (A. DE OLIVEIRA)
Observação:
A interjeição oh! (escrita com h), que denota geralmente surpresa, alegria ou desejo, vem seguida de PONTO-DE-EXCLAMAÇÃO. Já à interjeição de apelo ó, quando acompanhada de vocativo, não se pospõe PONTO-DE-EXCLAMAÇÃO; este se coloca, no caso, depois do vocativo. Comparem-se os exemplos do item a.
4. As RETICÊNCIAS (...)
1. As RETICÊNCIAS marcam uma interrupção da frase e, conseqüentemente, a suspensão da sua melodia. Empregam-se em casos muito variados. Assim:
a) para indicar que o narrador ou o personagem interrompe uma idéia que começou a exprimir, e passa a considerações acessórias:
-- A tal rapariguinha... Não digam que foi a Pôncia que contou. Menos essa, que não quero enredos comigo! (J. DE ALENCAR)
b) para marcar suspensões provocadas por hesitação, surpresa, dúvida, timidez, ou para assinalar certas inflexões de natureza emocional de quem fala:
Fiador... para o senhor?! Ora!... (G. AMADO)
Falaram todos. Quis falar... Não pude...
Baixei os olhos... e empalideci... (A. TAVARES)
c) para indicar que a idéia que se pretende exprimir não se completa com o término gramatical da frase, e que deve ser suprida com a imaginação do leitor:
Agora é que entendo tudo: as atitudes do pai, o recato da filha... Eu caí numa cilada... (J. MONTELLO)
2. Empregam-se também as RETICÊNCIAS para reproduzir, nos diálogos, não uma suspensão do tom da voz, mas o corte da frase de um personagem pela interferência da fala de outro. Se a fala do personagem continua normalmente depois dessa interferência, costuma-se preceder o seguimento de reticências:
-- Mas não me disse que acha...
-- Acho.
--...Que posso aceitar uma presidência, se me ofereceram?
-- Pode; uma presidência aceita-se. (M. DE ASSIS)
3. Usam-se ainda as RETICÊNCIAS antes de uma palavra ou de uma expressão que se quer realçar:
E teve um fim que nunca se soube... Pobrezinho... Andaria nos doze anos. Filho único. (S. LOPES NETO)
5. As ASPAS (" ")
1. Empregam-se principalmente:
a) no início e no fim de uma citação para distingui-la do resto do contexto:
O poeta espera a hora da morte e só aspira a que ela "não seja vil, manchada de medo, submissão ou cálculo". (MANUEL BANDEIRA)
b) para fazer sobressair termos ou expressões, geralmente não peculiares à linguagem normal de quem escreve (estrangeirismos, arcaísmos, neologismos, vulgarismos, etc.):
Era melhor que fosse "clown". (E. VERÍSSIMO)
c) para acentuar o valor significativo de uma palavra ou expressão:
A palavra "nordeste" é hoje uma palavra desfigurada pela expressão "obras do Nordeste" que quer dizer: "obras contra as secas". E quase não sugere senão as secas. (G. FREYRE)
Observação:
No emprego das ASPAS, cumpre atender a estes preceitos do Formulário Ortográfico: "Quando a pausa coincide com o final da expressão ou sentença que se acha entre ASPAS, coloca-se o competente sinal de pontuação depois delas, se encerram apenas uma parte da proposição; quando, porém, as ASPAS abrangem todo o período, sentença, frase ou expressão, a respectiva notação fica abrangida por elas:
"Aí temos a lei", dizia o Florentino. "Mas quem as há de segurar? Ninguém." (R. BARBOSA.)
"Mísera! tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume!" (M. DE ASSIS)
6. Os PARÊNTESES ( ( ) )
1. Empregam-se os PARÊNTESES para intercalar num texto qualquer indicação acessória. Seja, por exemplo:
a) uma explicação dada, uma reflexão, um comentário à margem do que se afirma:
Os outros (éramos uma dúzia) andavam também por essa idade, que é o doce-amargo subúrbio da adolescência. (P. MENDES CAMPOS)
b) uma nota emocional, expressa geralmente em forma exclamativa, ou interrogativa:
Havia a escola, que era azul e tinha
Um mestre mau, de assustador pigarro...
(Meu Deus! que é isto? que emoção a minha
Quando estas coisas tão singelas narro?) (B. LOPES)
Observação:
Entre as explicações e as circunstâncias acessórias que costumam ser escritas entre PARÊNTESES, incluem-se as referências a data, a indicações bibliográficas, etc.:
"Boa noite, Maria! Eu vou-me embora."
(CASTRO ALVES. Espumas Flutuantes, Bahia, 1870, p. 71)
2. Usam-se também os PARÊNTESES para isolar orações intercaladas com verbos declarativos:
Uma vez (contavam) a polícia tinha conseguido deitar a mão nele. (A. DOURADO)
O que se faz mais freqüentemente por meio de vírgulas ou de travessões.
7. Os COLCHETES ( [ ] )
Os COLCHETES são uma variedade de PARÊNTESES, mas de uso restrito. Empregam-se:
a) quando numa transcrição de texto alheio, o autor intercala observações próprias, como nesta nota de SOUSA DA SILVEIRA a um passo de CASIMIRO DE ABREU:
Entenda-se, pois: "Obrigado! obrigado [pelo teu canto em que] tu respondes [à minha pergunta sobre o porvir (versos 11-12) e me acenas para o futuro (versos 14 e 85), embora o que eu percebo no horizonte me pareça apenas uma nuvem (verso 15)]."
b) quando se deseja incluir, numa referência bibliográfica, indicação que não conste da obra citada, como neste exemplo:
ALENCAR, José de. O Guarani, 2 ed. Rio de Janeiro, B. L. Garnier Editor [1864].
8. O TRAVESSÃO (--)
Emprega-se principalmente em dois casos:
a) Para indicar, nos diálogos, a mudança de interlocutor:
-- Muito bom dia, meu compadre.
-- Por que não apeia, compadre Vitorino?
-- Estou com pressa. (J. LINS DO REGO)
b) Para isolar, num contexto, palavras ou frases. Neste caso, usa-se geralmente o TRAVESSÃO DUPLO:
Duas horas depois -- a tempestade ainda dominava a cidade e o mar -- o "Canavieiras" ia encostando no cais. (J. AMADO)
Mas não é raro o emprego de um só TRAVESSÃO para destacar, enfaticamente, a parte final de um enunciado:
Um povo é tanto mais elevado quanto mais se interessa pelas coisas inúteis -- a filosofia e a arte. (J. AMADO)
Observação:
"Emprega-se o travessão, e não o hífen, para ligar palavras ou grupo de palavras que formam, pelo assim dizer, uma cadeia na frase: o trajeto Mauá-Cascadura; a estrada de ferro Rio-Petrópolis; a linha aérea Brasil-Argentina; o percurso Barcas-Tijuca; etc." (Formulário Ortográfico).
OBSERVAÇÕES DE OUTRO GRAMÁTICO
Luiz Antonio Sacconi
É preciso erradicar de vez a concepção errônea de que existe em alguns espíritos de que não se usa a vírgula antes de “e” em hipótese nenhuma. A título de mera curiosidade, eis cinco casos de emprego obrigatório da vírgula antes de “e”:
a) quando o ”e” equivale a “mas”, caso em que se classifica como conjunção adversativa. Exemplos:
“Quem cabritos vende, e cabras não têm, dalgures lhe vêm.” (e = mas)
Juçara fuma, e não traga. (e=mas)
Todo político promete, e não cumpre. (e=mas)
b) quando o “e” dá início a outra oração no período, sendo deferentes os sujeitos. Ex.:
Uma mão lava a outra, e a poluição suja as duas.
Os soldados ganham as batalhas, e os generais recebem o crédito.
c) quando entre um sujeito e outro aparece um termo imediatamente anterior separado por vírgulas. Ex.:
A casa, muito antiga, e o edifício, moderníssimo, formavam visível contrate.
d) nas frases deste tipo:
Dá-me um ponto de apoio, e suspenderei a terra e o céu (Arquimedes)
Fala pouco e bem, e ter-te-ão por alguém!”
Essa vírgula é facultativa, dependendo da maior ou menor necessidade de ênfase que sequeira transmitir à segunda oração.
e) quando se deseja pequena pausa para em seguida dar ênfase ao termo imediatamente posposto ao “e”. Ex.:
Algumas coisas precisam ser esclarecidas, e logo!
Os jovens querem ser fiéis, e não perdem. Os velhos querem ser infiéis, e não podem.
A referida pausa, nesses casos, é tão deseja e significativa, que os autores modernos preferem substituir a vírgula pelo ponto. Ex.:
Algumas coisas precisam ser esclarecidas. E longo!
Em vez de vírgula e do ponto, pode aparecer nesse caso o travessão, que sugere pausa maior que a vírgula, porém. Ex.:
Um homem arrebata o primeiro beijo, suplica pelo segundo, pede o terceiro, toma o quarto, aceita o quinto – e agüenta todos os outros.
f) antes de vice-versa. Ex.: As orações causais não aceitam normalmente os artifícios que se empregam para as orações explicativas, e vice-versa.
g) antes do último membro de uma enumeração. Ex.: O Brasil é o maior produtor mundial de mamona; o México produz muita prata, petróleo e mercúrio, e o Chile é rico em cobre.
h) nos polissíndetos. Ex.: A criança chorava, e berrava, e gritava, e esperneava, e fazia todo o mundo louco!
i) antes das expressões E NEM, E NEM AO MENOS, E NEM SEQUER. Ex.: Ela chegou, e nem quis saber de nós.
CAIXA POSTAL
Num sobrescrito ou envelope e no cabeçalho das correspondências,usa-se a vírgula após cada elemento ou item. Ex.:
Nossa Editora,
Caixa Postal 1501
14 001, Ribeirão Preto, SP.
Depois de caixa postal não se usa a vírgula.
OBSERVAÇÕES DO PROFESSOR
No endereço, com rua e número da casa, a numeração não corresponde à ordem, porque se pulam os números, portanto, há, de fato, um aposto subentendido.
Exemplo:
Rua Marechal Deodoro, (casa de número) 155.
Casa de número: aposto subentendido.
Na numeração de apartamento, caixa postal, sala, seção o número corresponde a uma ordem seqüencial, por isso não precisa da vírgula.
Ex.: apartamento 67, caixa postal 25, seção 4, telefone 3622 9445, sala 7.
O poder da vírgula
Na Inglaterra, certa vez, um oficial foi condenado à morte. Seu pedido de perdão recebeu a seguinte sentença do rei:
Perdoar impossível, mandar para a forca!
Antes de a mensagem ser enviada ao verdugo, passou pelas mãos da generosa rainha,d que,compadecida da sorte do oficial, tomou de uma caneta e alterando a posição da vírgula, simplesmente mudou o significado da mensagem:
Perdoar,impossível mandar para forca!
Na antigüidade, um imperador estava indignado com a população de uma cidade, sem dúvida, por motivos políticos. O governador, então, passa-lhe um telegrama:
Devo fazer fogo ou poupar a cidade?
A resposta do monarca foi:
Fogo, não poupe a cidade!
O telegrafista, por questões humanitárias ou porque qualquer outro motivo, trocou a posição da vírgula. E a resposta ficou assim:
Fogo não, poupe a cidade!
(Celso Cunha )
I - Introdução: sinais pausais e sinais melódicos
A língua escrita não dispõe dos inumeráveis recursos rítmicos e melódicos da língua falada. Para suprir esta carência, ou melhor, para reconstituir aproximadamente o movimento vivo da elocução oral, serve-se da PONTUAÇÃO.
Os sinais de pontuação podem ser classificados em dois grupos:
O primeiro grupo compreende os sinais que, fundamentalmente, se destinam a marcar as PAUSAS:
a) a VÍRGULA (,)
b) o PONTO (.)
c) o PONTO-E-VÍRGULA (;)
O segundo grupo abarca os sinais cuja função essencial é marcar a MELODIA, a ENTONAÇÃO:
a) os DOIS PONTOS (:)
b) o PONTO DE INTERROGAÇÃO (?)
c) o PONTO DE EXCLAMAÇÃO (!)
d) as RETICÊNCIAS (...)
e) as ASPAS (" ")
f) os PARÊNTESES ( ( ) )
g) os COLCHETES ( [ ] )
h) o TRAVESSÃO (--)
II - Sinais que marcam sobretudo a pausa
1. a VÍRGULA (,)
A VÍRGULA marca uma pausa de pequena duração. Emprega-se não só para separar elementos de uma oração, mas também orações de um só período.
1.1. Emprego da vírgula no interior da oração
No INTERIOR DA ORAÇÃO a vírgula serve
1º) Para separar elementos que exercem a mesma função sintática (sujeito composto, complementos, adjuntos), quando não vêm unidos pelas conjunções e, ou e nem.
Exemplos:
As nuvens, as folhas, os ventos não são deste mundo. (A. MAYER)
Ela tem sua claridade, seus caminhos, suas escadas, seus andaimes.(C. MEIRELES)
2º) Para separar elementos que exercem funções sintáticas diversas, geralmente com a finalidade de realçá-los. Em particular, a VÍRGULA é usada:
a) para isolar o aposto, ou qualquer elemento de valor meramente explicativo:
Ele, o pai, é um mágico. ( ADONIAS FILHO)
b) para isolar o vocativo:
Moço, sertanejo não se doma no brejo. (J. A. DE ALMEIDA)
c) para isolar o adjunto adverbial antecipado:
Depois de algumas horas de sono, voltei ao colégio. (R. POMPÉIA)
d) para isolar os elementos pleonástico ou repetidos:
Ficou branquinha, branquinha.
Com os desgostos humanos. (O. BILAC)
3º) Emprega-se ainda a vírgula no interior da oração:
a) para separar, na datação de um escrito, o nome do lugar:
Teófilo Otoni, 10 de maio de 1917.
b) para indicar a supressão de uma palavra (geralmente o verbo) ou de um grupo de palavras:
Veio a velhice; com ela, a aposentadoria. (H. SALES)
1.2. Emprego da vírgula entre orações
ENTRE ORAÇÕES, emprega-se a vírgula:
1º) Para separar as orações coordenadas assindéticas:
Levantava-me, passeava, tamborilava nos vidros das janelas, assobiava. (M. DE ASSIS)
2º) Para separar as orações coordenadas sindéticas, salvo as introduzidas pela conjunção e:
Cessaram as buzinas, mas prosseguia o alarido nas ruas. (A. M. MACHADO)
Observação:
1ª) Separam-se por VÍRGULA as orações coordenadas unidas pela conjunção e, quando têm sujeito diferente. Exemplo:
O silêncio comeu o eco, e a escuridão abraçou o silêncio. (G. FIGUEIREDO)
Costuma-se também separar por VÍRGULA as orações introduzidas por essa conjunção quando ela vem reiterada:
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua! (O. BILAC)
2ª) Das CONJUNÇÕES ADVERSATIVAS, mas emprega-se sempre no começo da oração; porém, todavia, contudo, entretanto e no entanto, podem vir ora no início da oração, ora após um dos seus termos. No primeiro caso, põe-se uma VÍRGULA antes da conjunção; no segundo, vem ela isolada por vírgulas. Compare-se este período de Machado de Assis:
-- Vá aonde quiser, mas fique morando conosco.
aos seguintes:
-- Vá aonde quiser, porém fique morando conosco..
-- Vá aonde quiser, fique, porém, morando conosco.
Em virtude da acentuada pausa que existe entre as orações acima, podem ser elas separadas, na escrita, por PONTO-E-VÍRGULA. Ao último período é mesmo a pontuação que melhor lhe convém:
-- Vá aonde quiser; fique, porém, morando conosco.
3ª ) Quando conjunção conclusiva, pois vem sempre posposto a um termo da oração a que pertence e, portanto, isolado por vírgulas:
Não pacteia com a ordem; é, pois, uma rebelde. (J. RIBEIRO)
As demais conjunções conclusivas (logo, portanto, por conseguinte, etc.) podem encabeçar a oração ou pospor-se a um dos seus termos. À semelhança das adversativas, escrevem-se, conforme o caso, com uma vírgula anteposta, ou entre vírgulas.
3º) Para isolar as orações intercaladas:
-- Se o alienista tem razão, disse eu comigo, não haverá muito que lastimar o Quincas Borba. (M. DE ASSIS)
4º) Para isolar as orações subordinadas adjetivas explicativas:
Pastor, que sobes o monte,
Que queres galgando-o assim? (O. MARIANO)
5º) Para separar as orações subordinadas adverbiais, principalmente quando antepostas à principal:
Quando tio Severino voltou da fazenda, trouxe para Luciana um periquito. (G. RAMOS)
6º) Para separar as orações reduzidas de gerúndio, de particípio e de infinitivo, quando equivalentes a orações adverbiais:
Não obtendo resultado, indignou-se. (G. RAMOS)
Acocorado a um canto, contemplava-nos impassível. (E. DA CUNHA)
Ao falar, já sabia da resposta. (J.AMADO)
Observações:
1º) Toda oração ou todo termo de oração de valor meramente explicativo pronunciam-se entre pausas; por isso, são isolados por vírgula, na escrita;
2º) Os termos essenciais e integrantes da oração ligam-se uns com os outros sem pausa; não podem, assim, ser separados por vírgula. Esta a razão por que não é admissível o uso da vírgula entre uma oração subordinada substantiva e a sua principal;
3º) Há uns poucos casos em que o emprego da vírgula não corresponde a uma pausa real na fala; é o que se observa, por exemplo, em respostas rápidas do tipo: Sim, senhor. Não, senhor.
2. O PONTO (.)
1. O PONTO assinala a pausa máxima da voz depois de um grupo fônico de final descendente. Emprega-se, pois, fundamentalmente, para indicar o término de uma oração declarativa, seja ela absoluta, seja a derradeira de um período composto:
Nada pode contra o poeta. Nada pode contra esse incorrigível que tão bem vive e se arranja em meio aos destroços do palácio imaginário que lhe caiu em cima. (A. M. MACHADO)
2. Quando os períodos (simples ou compostos) se encadeiam pelos pensamentos que expressam, sucedem-se uns aos outros na mesma linha. Diz-se, neste caso, que estão separados por um PONTO SIMPLES.
Observação
O PONTO tem sido utilizado pelos escritores modernos onde os antigos poriam PONTO-E-VÍRGULA ou mesmo VÍRGULA.
A música toca uma valsa lenta. O desânimo aumenta. Os minutos passam. A orquestra se cala. O vento está mais forte. (E. VERÍSSIMO).
3. Quando se passa de um grupo a outro grupo de idéias, costuma-se marcar a transposição com um maior repouso da voz, o que, na escrita, se representa pelo PONTO-PARÁGRAFO. Deixa-se, então, em branco o resto da linha em que termina um dado grupo ideológico, e inicia-se o seguinte na linha abaixo, com o recuo de algumas letras.
Assim:
Lá embaixo era um mar que crescia.
Começara a chuviscar um pouco. E o carro subia mais para o alto, com destino à casa de Amâncio, que era a melhor da redondeza. (J. L. DO REGO)
4. Ao PONTO que encerra um enunciado escrito dá-se o nome de PONTO-FINAL.
3. O PONTO-E-VÍRGULA (;)
1. Como o nome indica, este sinal serve de intermediário entre o PONTO e a VÍRGULA, podendo aproximar-se ora mais daquele, ora mais desta, segundo os valores pausais e melódicos que representa no texto. No primeiro caso, equivale a uma espécie de PONTO reduzido; no segundo, assemelha-se a uma VÍRGULA alongada.
2. Esta imprecisão do PONTO-E-VÍRGULA faz que o seu emprego dependa substancialmente de contexto. Entretanto, podemos estabelecer que, em princípio, ele é usado:
1º) Para separar num período as orações da mesma natureza que tenham certa extensão:
Todas as obras de Deus são maravilhosas; porém a maior de todas as maravilhas é a existência do mesmo Deus. (M. DE MARICÁ)
2º) Para separar partes de um período, das quais uma pelo menos esteja subdividida por VÍRGULA:
Chamo-me Inácio; ele, Benedito. (M. DE ASSIS)
3º) Para separar os diversos itens de enunciados enumerativos (em leis, decretos, portarias, regulamentos, etc.), como estes que iniciam o Artigo 1º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional:
Art. 1º A educação nacional, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por fim:
a) a compreensão dos direitos e deveres da pessoa humana, do cidadão, do Estado, da família e dos demais grupos que compõem a comunidade;
b) o respeito à dignidade e às liberdades fundamentais do homem;
c) o fortalecimento da unidade nacional e da solidariedade internacional;
d) o desenvolvimento integral da personalidade humana e a sua participação na obra do bem comum
(...)
4. Valor melódico dos sinais pausais
Dissemos que a VÍRGULA, o PONTO e o PONTO-E-VÍRGULA, marcam sobretudo -- e não exclusivamente -- a pausa. No correr do nosso estudo, ressaltamos até algumas das suas características melódicas. É o momento de sintetizá-las:
a) o PONTO corresponde sempre à final descendente de um grupo fônico;
b) a VÍRGULA assinala que a voz fica em suspenso, à espera de que o período se complete;
c) o PONTO-E-VÍRGULA denota em geral uma débil inflexão suspensiva, suficiente, no entanto, para indicar que o período não está concluído.
III - Sinais que marcam sobretudo a melodia
1. Os DOIS PONTOS (:)
Os DOIS PONTOS servem para marcar, na escrita, uma sensível suspensão da voz na melodia de uma frase não concluída. Empregam-se, pois, para anunciar:
1º) uma citação (geralmente depois de verbo ou expressão que signifique dizer, responder, perguntar e sinônimos):
Eu lhe responderia: a vida é ilusão... (A. PEIXOTO)
2º) uma enumeração explicativa:
Viajo entre todas as coisas do mundo:
homem, flores, animais, água... (C. MEIRELES)
3º) um esclarecimento, uma síntese ou um conseqüência do que foi enunciado:
Ternura teve uma inspiração: atirar a corda, laçá-la. (A. M. MACHADO)
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta. (C. MEIRELES)
Observação:
Depois do vocativo que encabeça cartas, requerimentos, ofícios, etc. costuma-se colocar DOIS-PONTOS, VÍRGULA, ou PONTO, havendo escritores que, no caso, dispensam qualquer pontuação. Assim:
Prezado senhor: Prezado senhor.
Prezado senhor, Prezado senhor
Sendo o vocativo inicial emitido com entoação suspensiva, deve ser acompanhado, preferentemente, de DOIS-PONTOS ou de VÍRGULA, sinais denotadores daquele tipo de inflexão.
2. O PONTO DE INTERROGAÇÃO (?)
1. É o sinal que se usa no fim de qualquer interrogação direta, ainda que a pergunta não exija resposta:
Sabe você de uma novidade? (A. PEIXOTO)
2. Nos casos em que a pergunta envolve dúvida, costuma-se fazer seguir de RETICÊNCIAS o PONTO-DE-INTERROGAÇÃO:
_ Então?...que foi isso?...a comadre?... (ARTUR AZEVEDO)
3. Nas perguntas que denotam surpresa, ou naquelas que não têm endereço nem resposta, empregam-se por vezes combinados o PONTO-DE-INTERROGAÇÃO E O PONTO-DE-EXCLAMAÇÃO:
Que negócio é esse: cabra falando?! (C. D. DE ANDRADE)
Observação:
O PONTO-DE-INTERROGAÇÃO nunca se usa no fim de uma interrogação indireta, uma vez que esta termina com entoação descendente, exigindo, por isso, um PONTO.
Comparem-se:
-- Quem chegou? [= INTERROGAÇÃO DIRETA]
-- Diga-me quem chegou. [= INTERROGAÇÃO INDIRETA]
3. O PONTO DE EXCLAMAÇÃO (!)
É o sinal que se pospõe a qualquer enunciado de entoação exclamativa. Emprega-se, pois, normalmente:
a) depois de interjeições ou de termos equivalentes, como os vocativos intensivos, as apóstrofes:
Oh! dias de minha infância! (C. DE ABREU)
Deus! ó Deus! onde estás que não respondes? (C. ALVES)
b) depois de um imperativo:
Coração, pára! ou refreia, ou morre! (A. DE OLIVEIRA)
Observação:
A interjeição oh! (escrita com h), que denota geralmente surpresa, alegria ou desejo, vem seguida de PONTO-DE-EXCLAMAÇÃO. Já à interjeição de apelo ó, quando acompanhada de vocativo, não se pospõe PONTO-DE-EXCLAMAÇÃO; este se coloca, no caso, depois do vocativo. Comparem-se os exemplos do item a.
4. As RETICÊNCIAS (...)
1. As RETICÊNCIAS marcam uma interrupção da frase e, conseqüentemente, a suspensão da sua melodia. Empregam-se em casos muito variados. Assim:
a) para indicar que o narrador ou o personagem interrompe uma idéia que começou a exprimir, e passa a considerações acessórias:
-- A tal rapariguinha... Não digam que foi a Pôncia que contou. Menos essa, que não quero enredos comigo! (J. DE ALENCAR)
b) para marcar suspensões provocadas por hesitação, surpresa, dúvida, timidez, ou para assinalar certas inflexões de natureza emocional de quem fala:
Fiador... para o senhor?! Ora!... (G. AMADO)
Falaram todos. Quis falar... Não pude...
Baixei os olhos... e empalideci... (A. TAVARES)
c) para indicar que a idéia que se pretende exprimir não se completa com o término gramatical da frase, e que deve ser suprida com a imaginação do leitor:
Agora é que entendo tudo: as atitudes do pai, o recato da filha... Eu caí numa cilada... (J. MONTELLO)
2. Empregam-se também as RETICÊNCIAS para reproduzir, nos diálogos, não uma suspensão do tom da voz, mas o corte da frase de um personagem pela interferência da fala de outro. Se a fala do personagem continua normalmente depois dessa interferência, costuma-se preceder o seguimento de reticências:
-- Mas não me disse que acha...
-- Acho.
--...Que posso aceitar uma presidência, se me ofereceram?
-- Pode; uma presidência aceita-se. (M. DE ASSIS)
3. Usam-se ainda as RETICÊNCIAS antes de uma palavra ou de uma expressão que se quer realçar:
E teve um fim que nunca se soube... Pobrezinho... Andaria nos doze anos. Filho único. (S. LOPES NETO)
5. As ASPAS (" ")
1. Empregam-se principalmente:
a) no início e no fim de uma citação para distingui-la do resto do contexto:
O poeta espera a hora da morte e só aspira a que ela "não seja vil, manchada de medo, submissão ou cálculo". (MANUEL BANDEIRA)
b) para fazer sobressair termos ou expressões, geralmente não peculiares à linguagem normal de quem escreve (estrangeirismos, arcaísmos, neologismos, vulgarismos, etc.):
Era melhor que fosse "clown". (E. VERÍSSIMO)
c) para acentuar o valor significativo de uma palavra ou expressão:
A palavra "nordeste" é hoje uma palavra desfigurada pela expressão "obras do Nordeste" que quer dizer: "obras contra as secas". E quase não sugere senão as secas. (G. FREYRE)
Observação:
No emprego das ASPAS, cumpre atender a estes preceitos do Formulário Ortográfico: "Quando a pausa coincide com o final da expressão ou sentença que se acha entre ASPAS, coloca-se o competente sinal de pontuação depois delas, se encerram apenas uma parte da proposição; quando, porém, as ASPAS abrangem todo o período, sentença, frase ou expressão, a respectiva notação fica abrangida por elas:
"Aí temos a lei", dizia o Florentino. "Mas quem as há de segurar? Ninguém." (R. BARBOSA.)
"Mísera! tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume!" (M. DE ASSIS)
6. Os PARÊNTESES ( ( ) )
1. Empregam-se os PARÊNTESES para intercalar num texto qualquer indicação acessória. Seja, por exemplo:
a) uma explicação dada, uma reflexão, um comentário à margem do que se afirma:
Os outros (éramos uma dúzia) andavam também por essa idade, que é o doce-amargo subúrbio da adolescência. (P. MENDES CAMPOS)
b) uma nota emocional, expressa geralmente em forma exclamativa, ou interrogativa:
Havia a escola, que era azul e tinha
Um mestre mau, de assustador pigarro...
(Meu Deus! que é isto? que emoção a minha
Quando estas coisas tão singelas narro?) (B. LOPES)
Observação:
Entre as explicações e as circunstâncias acessórias que costumam ser escritas entre PARÊNTESES, incluem-se as referências a data, a indicações bibliográficas, etc.:
"Boa noite, Maria! Eu vou-me embora."
(CASTRO ALVES. Espumas Flutuantes, Bahia, 1870, p. 71)
2. Usam-se também os PARÊNTESES para isolar orações intercaladas com verbos declarativos:
Uma vez (contavam) a polícia tinha conseguido deitar a mão nele. (A. DOURADO)
O que se faz mais freqüentemente por meio de vírgulas ou de travessões.
7. Os COLCHETES ( [ ] )
Os COLCHETES são uma variedade de PARÊNTESES, mas de uso restrito. Empregam-se:
a) quando numa transcrição de texto alheio, o autor intercala observações próprias, como nesta nota de SOUSA DA SILVEIRA a um passo de CASIMIRO DE ABREU:
Entenda-se, pois: "Obrigado! obrigado [pelo teu canto em que] tu respondes [à minha pergunta sobre o porvir (versos 11-12) e me acenas para o futuro (versos 14 e 85), embora o que eu percebo no horizonte me pareça apenas uma nuvem (verso 15)]."
b) quando se deseja incluir, numa referência bibliográfica, indicação que não conste da obra citada, como neste exemplo:
ALENCAR, José de. O Guarani, 2 ed. Rio de Janeiro, B. L. Garnier Editor [1864].
8. O TRAVESSÃO (--)
Emprega-se principalmente em dois casos:
a) Para indicar, nos diálogos, a mudança de interlocutor:
-- Muito bom dia, meu compadre.
-- Por que não apeia, compadre Vitorino?
-- Estou com pressa. (J. LINS DO REGO)
b) Para isolar, num contexto, palavras ou frases. Neste caso, usa-se geralmente o TRAVESSÃO DUPLO:
Duas horas depois -- a tempestade ainda dominava a cidade e o mar -- o "Canavieiras" ia encostando no cais. (J. AMADO)
Mas não é raro o emprego de um só TRAVESSÃO para destacar, enfaticamente, a parte final de um enunciado:
Um povo é tanto mais elevado quanto mais se interessa pelas coisas inúteis -- a filosofia e a arte. (J. AMADO)
Observação:
"Emprega-se o travessão, e não o hífen, para ligar palavras ou grupo de palavras que formam, pelo assim dizer, uma cadeia na frase: o trajeto Mauá-Cascadura; a estrada de ferro Rio-Petrópolis; a linha aérea Brasil-Argentina; o percurso Barcas-Tijuca; etc." (Formulário Ortográfico).
OBSERVAÇÕES DE OUTRO GRAMÁTICO
Luiz Antonio Sacconi
É preciso erradicar de vez a concepção errônea de que existe em alguns espíritos de que não se usa a vírgula antes de “e” em hipótese nenhuma. A título de mera curiosidade, eis cinco casos de emprego obrigatório da vírgula antes de “e”:
a) quando o ”e” equivale a “mas”, caso em que se classifica como conjunção adversativa. Exemplos:
“Quem cabritos vende, e cabras não têm, dalgures lhe vêm.” (e = mas)
Juçara fuma, e não traga. (e=mas)
Todo político promete, e não cumpre. (e=mas)
b) quando o “e” dá início a outra oração no período, sendo deferentes os sujeitos. Ex.:
Uma mão lava a outra, e a poluição suja as duas.
Os soldados ganham as batalhas, e os generais recebem o crédito.
c) quando entre um sujeito e outro aparece um termo imediatamente anterior separado por vírgulas. Ex.:
A casa, muito antiga, e o edifício, moderníssimo, formavam visível contrate.
d) nas frases deste tipo:
Dá-me um ponto de apoio, e suspenderei a terra e o céu (Arquimedes)
Fala pouco e bem, e ter-te-ão por alguém!”
Essa vírgula é facultativa, dependendo da maior ou menor necessidade de ênfase que sequeira transmitir à segunda oração.
e) quando se deseja pequena pausa para em seguida dar ênfase ao termo imediatamente posposto ao “e”. Ex.:
Algumas coisas precisam ser esclarecidas, e logo!
Os jovens querem ser fiéis, e não perdem. Os velhos querem ser infiéis, e não podem.
A referida pausa, nesses casos, é tão deseja e significativa, que os autores modernos preferem substituir a vírgula pelo ponto. Ex.:
Algumas coisas precisam ser esclarecidas. E longo!
Em vez de vírgula e do ponto, pode aparecer nesse caso o travessão, que sugere pausa maior que a vírgula, porém. Ex.:
Um homem arrebata o primeiro beijo, suplica pelo segundo, pede o terceiro, toma o quarto, aceita o quinto – e agüenta todos os outros.
f) antes de vice-versa. Ex.: As orações causais não aceitam normalmente os artifícios que se empregam para as orações explicativas, e vice-versa.
g) antes do último membro de uma enumeração. Ex.: O Brasil é o maior produtor mundial de mamona; o México produz muita prata, petróleo e mercúrio, e o Chile é rico em cobre.
h) nos polissíndetos. Ex.: A criança chorava, e berrava, e gritava, e esperneava, e fazia todo o mundo louco!
i) antes das expressões E NEM, E NEM AO MENOS, E NEM SEQUER. Ex.: Ela chegou, e nem quis saber de nós.
CAIXA POSTAL
Num sobrescrito ou envelope e no cabeçalho das correspondências,usa-se a vírgula após cada elemento ou item. Ex.:
Nossa Editora,
Caixa Postal 1501
14 001, Ribeirão Preto, SP.
Depois de caixa postal não se usa a vírgula.
OBSERVAÇÕES DO PROFESSOR
No endereço, com rua e número da casa, a numeração não corresponde à ordem, porque se pulam os números, portanto, há, de fato, um aposto subentendido.
Exemplo:
Rua Marechal Deodoro, (casa de número) 155.
Casa de número: aposto subentendido.
Na numeração de apartamento, caixa postal, sala, seção o número corresponde a uma ordem seqüencial, por isso não precisa da vírgula.
Ex.: apartamento 67, caixa postal 25, seção 4, telefone 3622 9445, sala 7.
O poder da vírgula
Na Inglaterra, certa vez, um oficial foi condenado à morte. Seu pedido de perdão recebeu a seguinte sentença do rei:
Perdoar impossível, mandar para a forca!
Antes de a mensagem ser enviada ao verdugo, passou pelas mãos da generosa rainha,d que,compadecida da sorte do oficial, tomou de uma caneta e alterando a posição da vírgula, simplesmente mudou o significado da mensagem:
Perdoar,impossível mandar para forca!
Na antigüidade, um imperador estava indignado com a população de uma cidade, sem dúvida, por motivos políticos. O governador, então, passa-lhe um telegrama:
Devo fazer fogo ou poupar a cidade?
A resposta do monarca foi:
Fogo, não poupe a cidade!
O telegrafista, por questões humanitárias ou porque qualquer outro motivo, trocou a posição da vírgula. E a resposta ficou assim:
Fogo não, poupe a cidade!
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Verbos
Verbo
Verbo é o nome dado à classe gramatical que designa uma ocorrência ou situação. É uma das duas classes gramaticais nucleares do idioma, sendo a outra o substantivo. É o verbo que determina o tipo do predicado, que pode ser predicado verbal, nominal ou verbo-nominal. O verbo pode designar ação, estado ou fenômeno da natureza.
Classificação
Os verbos admitem vários tipos de classificação, que englobam aspectos tanto semânticos quanto morfológicos. Podem ser divididos da seguinte forma:
Quanto à semântica
• Verbos transitivos: Designam ações voluntárias, causadas por um ou mais indivíduos, e que afetam outro(s) indivíduo(s) ou alguma coisa, exigindo um ou mais objetos na ação. Podem ser transitivos diretos que não possuem sentido completo,logo ele necessita de um complemento,sendo este complemento chamado de objeto direto.E verbo transitivo indireto-Que também não possue sentido completo e necessita de um objeto indireto,que necessariamente exigem uma preposição antes do objeto. Exemplos: dar,comer, fazer, vender, escrever, amar etc.
• Verbos intransitivos: Designam ações que não afetam outros indivíduos. Exemplos: andar, existir, nadar, voar etc.
• Verbos impessoais: São verbos que designam ações involuntárias. Geralmente (mas nem sempre) designam fenômenos da natureza e, portanto, não têm sujeito nem objeto na oração. Exemplos: chover, anoitecer, nevar, haver (no sentido de existência) etc. Todo verbo impessoal é também intransitivo.
• Verbos de ligação: São os verbos que não designam ações; apenas servem para ligar o sujeito ao predicativo. Exemplos: ser, estar, parecer, permanecer, continuar, andar, tornar-se, ficar, viver, virar etc.
Quanto à conjugação
• Verbos da primeira conjugação: São os verbos terminados em ar: molhar, cortar, relatar, etc.
• Verbos da segunda conjugação: são os verbos terminados em er: receber, conter, poder etc. O verbo anômalo pôr (único com o tema em o), com seus compostos, também é considerado da segunda conjugação devido à sua conjugação já antes realizada (Ex: fizeste, puseste), decorrente de sua antiga forma latina poer.
• Verbos da terceira conjugação: são os verbos terminados em ir: sorrir, fugir, iludir, cair, colorir, etc ==
Quanto à morfologia
• Verbos regulares: Flexionam sempre de acordo com os paradigmas da conjugação a que pertencem. Exemplos: amar, vender, partir, etc.
• Verbos irregulares: Sofrem algumas modificações em relação aos paradigmas da conjugação a que pertencem. Exemplos: resfolegar, caber, medir ("eu resfolgo", "eu caibo", "eu meço", e não "eu resfolego", "eu cabo", "eu medo").
• Verbos anômalos: Verbos que não seguem os paradigmas da conjugação a que pertence, sendo que muitas vezes o radical é diferente em cada conjugação. Exemplos: ir, ser, ter ("eu vou", "ele foi"; "eu sou", "tu és", "ele tinha", "eu tivesse", e não "eu io", "ele iu", "eu sejo", "tu sês", "ele tia", "eu tesse"). O verbo "pôr" pertence à segunda conjugação e é anômalo a começar do próprio infinitivo.
• Verbos defectivos: Verbos que não têm uma ou mais formas conjugadas. Exemplo: precaver - não existe a forma "precavenha".
• Verbos abundantes: Verbos que apresentam mais de uma forma de conjugação. Exemplos: encher - enchido, cheio; fixar - fixado, fixo.
Flexão
Os verbos têm as seguintes categorias de flexão:
• Número: singular e plural.
• Pessoa: primeira (transmissor), segunda (receptor), terceira (mensagem).
• Modo: indicativo,subjuntivo e imperativo, alem das formas nominais (infinitivo, gerúndio e particípio).
• Tempo: presente, pretérito perfeito, pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito, futuro do presente, futuro do pretérito.
• Voz: ativa, passiva (analítica ou sintética), reflexiva.
Ativa: O sujeito da oração é que faz a ação. Ele sempre fica na frente da frase.
Ex : Os alunos resolveram todas questões.
Passiva : O sujeito recebe a ação.Ele sempre fica no final da frase.
Ex : Todas questões foram resovidas pelos alunos.
Reflexiva : O sujeito faz e também recebe a ação.
Ex: Ana se cortou.
Modo e tempo verbal
Modos e tempos verbais são dois tipos de flexão (variação, mudança) que os verbos apresentam, a fim de dar uma maior clareza quanto ao momento e formas da ação, estado ou fenômeno natural.
Na língua portuguesa, o Verbo pode sofrer as flexões de:
• modo e tempo;
• número - singular e plural; e
• pessoa - primeira (eu; nós), segunda (tu, vós) e terceira (ele(a), eles(as) e você(s))
Modos verbais
As flexões de Modo determinam as diversas atitudes da pessoa que fala com relação ao fato enunciado. Assim:
• uma atitude que expressa certeza com relação ao fato que aconteceu, que acontece ou que acontecerá, é característica do Modo Indicativo. Exemplos:
o Ele trabalhou ontem.
o Ela está em casa.
o Nós iremos amanhã.
• uma atitude que revela uma incerteza, uma dúvida ou uma hipótese é característica do Modo Subjuntivo (ou Conjuntivo). Exemplos:
o Se eu trabalhasse, ...
o Quando eu partir, ...
• uma atitude que expressa uma ordem, um pedido, um conselho, uma vontade ou um desejo é característica do Modo Imperativo. Exemplo:
o Faça isto, agora!
Com relação ao Tempo, podemos expressar um facto basicamente de três maneiras diferentes:
1. No presente: significa que o fato está acontecendo relativamente ao momento em que se fala;
2. No pretérito: significa que o fato já aconteceu relativamente ao momento em que se fala;
3. No futuro: significa que o fato ainda irá acontecer relativamente ao momento em que se fala.
Entretanto, as possibilidades de se localizar um processo no tempo podem ser ampliadas de acordo com as necessidades da pessoa que fala ou que relata um evento. Neste contexto, a Língua Portuguesa oferece-nos as seguintes possibilidades para combinarmos Modos e Tempos:
Modo Indicativo
Expressa certeza absolutamente apresentando o fato de uma maneira real, certa, positiva.
Presente do Indicativo
Expressa o fato no momento em que se fala.
• O aluno lê um poema.
• Posso afirmar que meus valores mudaram.
• Um aluno dorme.
Pretérito Imperfeito
Expressa o passado inacabado, um processo anterior ao momento em que se fala, mas que durou um tempo no passado, ou ainda, um fato habitual,diário. Por isto, chama-se este tempo verbal de pretérito imperfeito, pois não se refere a um conceito situado perfeitamente num contexto de passado.
Emprega-se o pretérito imperfeito do Indicativo para assinalar:
• um fato passado contínuo, permanente ou habitual, ou casual.
o Eles vendiam sempre fiado.
o "Uma noite, eu me lembro... ela dormia"
Numa rede encostada molemente (Castro Alves, Adormecida).
o Ela vendia flores
o "Glória usava no peito um broche com um medalhão de duas faces." (Raquel de Queirós, As Três Marias).
• um fato passado, mas de incerta localização no tempo:
o Era uma vez, ...
• um fato presente em relação a outro passado, indicando a simultaneidade de ambos os fatos:
o Eu lia quando ela chegou.
o "Nessa mesma noite, leu-lhe o artigo em que advertia o partido da conveniência de não ceder às perfídias do poder." (poema de Quincas Borba).
Pretérito Perfeito
Indica um fato já ocorrido, concluído. Daí o nome: Pretérito Perfeito; referindo-se a um fato que se situa perfeitamente no passado. Emprega-se o Pretérito Perfeito do Indicativo para assinalar:
• um fato já ocorrido ou concluído:
o "Trocaram beijos ao luar tranqüilo." (Augusto Gil, Luar de Janeiro)
o "Andei longe terras,
Lidei cruas guerras,
Vaguei pelas serras,
Dos vis Aimorés." (Gonçalves Dias, I-Juca-Pirama).
o Posso afirmar que meus valores mudaram.
o "Apanhou o rifle, saiu ao meio da trilha e detonou."(Coelho Neto, Banzo).
• Na forma composta, é usado para indicar uma ação que se prolonga até ao momento presente; através da locução verbal, na qual se usa o particípio.
o Tenho estudado todas as noites.
o "Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo." (Fernando Pessoa, Poema em Linha Reta - caio)
Pretérito Mais-Que-Perfeito
Emprega-se o pretérito mais-que-perfeito para assinalar um fato passado em relação a outro também no passado (o passado do passado, algo que aconteceu antes de outro fato também passado).
O pretérito mais-que-perfeito aparece nas formas simples e composta, sendo que a primeira costuma aparecer em discursos mais formais e a segunda, na fala coloquial.
• Exemplos de usos do pretérito mais-que-perfeito simples:
o Ele comprou o apartamento com o dinheiro do carro que vendera.
o "Levava comigo um retrato de Maria Cora; alcançara-o dela mesma ... com uma pequena dedicatória cerimoniosa." (Machado de Assis, Relíquias de Casa)
o Morava .. no arraial de São Gonçalo da Ponte, cuja ponte o rio levara, deixando dela somente os pilares de alvenaria." (Gustavo Barroso, O Sertão e o Mundo)
• Exemplos de usos do pretérito mais que perfeito composto:
o Quando eu cheguei, ela já tinha saído.
o Tinha chovido muito naquela noite.
Te dou meu coração, quisera dar o mundo
Futuro do presente composto
Este tempo só existe na forma composta. Assinala um fato posterior ao tempo atual, mas anterior a outro fato futuro.
Exemplo: "Até meus bisnetos nascerem, eu terei me aposentado".
Futuro do Presente
Emprega-se o futuro do presente para assinalar uma ação que ocorrerá no futuro relativamente ao momento em que se fala.
• Se eleito, lutarei pelos menores carentes.
• "... era Vadinho, herói indiscutível, jamais outro virá tão íntimo das estrelas, dos dados e das prostitutas, ... " (Jorge Amado, Dona Flor e Seus Dois Maridos)
• "A qual escolherei, se, neste estado,
Eu não sei distinguir esta daquela?" (Alvarenga Peixoto, Jôninha e Nice).
Exemplos de futuro composto:
• Ele vai fazer (fará) compras e vai voltar (voltará) em breve.
Futuro do Pretérito / Condicional
Emprega-se o futuro do pretérito para assinalar:
• Um fato futuro em relação a outro no passado
o "Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria. (Álvares Azevedo, Se Eu Morresse Amanhã).
o "Ia levar homens para o quarto. Como era boa de cama, pagar-lhe-iam muito bem." (Clarice Lispector, A Via-Crúcis do Corpo)
• Uma ironia ou um pedido de cortesia:
o Daria para fazer silêncio!
o Poderia fazer o favor de sair!?
Modo Subjuntivo (ou Conjuntivo)
Revela um fato duvidoso, incerto.
Presente
Emprega-se o presente do subjuntivo para assinalar:
• um fato presente, mas duvidoso ou incerto.
o Talvez eles façam tudo aquilo que nós pedimos.
o Talvez ele saiba sobre o que está falando.
• um facto futuro, mas duvidoso ou incerto
o Talvez eles venham amanhã.
• um desejo ou uma vontade
o Espero que eles façam o serviço correctamente.
o Se choro... bebe o meu pranto a areia ardente;
talvez... p'ra que meu pranto, ó Deus clemente!
Não descubras no chão... (Castro Alves, Vozes d'África)
o Espero que tragam-me o dinheiro
Pretérito Imperfeito
Emprega-se o pretérito imperfeito do subjuntivo para assinalar:
• uma hipótese ou uma condição numa ação passada, mas posterior e dependente de outra ação passada.
o "Talvez a lágrima subisse do coração à pupila ..." (Coelho Neto, Sertão)
o "Como fizesse bom tempo, as senhoras combinaram em tomar o café na chácara." (Aluísio Azevedo, Casa de Pensão)
o "Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje vencido, como se estivesse para morrer." (Fernando Pessoa, Tabacaria - Álvaro de Campos)
• uma condição contrafactual, ou seja, que não se verifica na realidade, que teria uma certa consequência; pode se referir ao passado, ao presente ou ao futuro.
o Se ele estivesse aqui ontem, poderia ter ajudado.
o Se ele estivesse aqui agora, poderia ajudar.
o Se ele viesse amanhã, poderia ajudar.
Futuro
Emprega-se o futuro do subjuntivo para assinalar uma possibilidade a ser concluída em relação a um fato no futuro, uma ação vindoura, mas condicional a outra ação também futura.
• Quando eu voltar, saberei o que fazer.
• Quando os sinos badalarem nove horas, voltarei para casa.
Também pode indicar uma condição incerta, presente ou futura.
• Se ele estiver lá amanhã, certamente ela também estará.
Futuro Composto
Emprega-se para exprimir uma possibilidade incerta, num tempo passado, ou num tempo passado em relação a um tempo futuro.
• Se ela tiver chegado a tempo ontem, terá sido ótimo
• Ao final das provas, se ele tiver sido aprovado, pararão de falar mal dele.
Pretérito Perfeito
Emprega o passado com relação a um futuro certo.
• Caso eu tenha sido escolhido, ficarei muito feliz.
Pretérito Mais-que-Perfeito Composto
Formado pelo imperfeito do subjuntivo do verbo auxiliar (ter, haver) mais o particípio do verbo principal Tem valor semelhante ao Imperfeito do subjuntivo Ex: Eu teria caminhado todos os dias desse ano, se não tivesse trabalhado tanto.
Eu teria viajado se não tivesse chovido
Obs: Perceba que todas as frases remetem a ação para o passado. A frase Se eu estudasse, aprenderia é diferente de Se eu tivesse estudado, teria aprendido
Imperativo
Exprime uma atitude de solicitação, mando. É formado por afirmativo e negativo.
Este modo verbal não possui a primeira pessoa do singular (eu), pois não podemos mandar em nós mesmos. Uma atitude que expressa uma ordem, um pedido, um conselho, uma vontade ou um desejo é característica do Modo Imperativo. Exemplo: Faça isto, agora! Com relação ao Tempo, podemos expressar um fato basicamente de três maneiras diferentes:
• No presente: significa que o fato está acontecendo relativamente ao momento em que se fala;
• No pretérito: significa que o fato já aconteceu relativamente ao momento em que se fala;
• No futuro: significa que o facto ainda irá acontecer relativamente ao momento em que se fala.
Entretanto, as possibilidades de se localizar um processo no tempo podem ser ampliadas de acordo com as necessidades da pessoa que fala ou que relata um evento. Neste contexto, a língua portuguesa oferece-nos as seguintes possibilidades para combinarmos modos e tempo
Exemplo
•
o Parcele sua compra!
o Faça sua tarefa!
o Lave a louça!
o Escove os dentes!
o Compre aqui e ganhe um brinde!
Gerúndio
Uma ação que está acontecendo. No português, é terminado por "ando", "endo" e "indo" (no caso do verbo pôr e seus derivados, terminado em "ondo"). Exemplos: "Eu estou falando contigo"; "Nós estamos correndo em círculos!"; "Eles estão indo para a escola."; "Estou pondo novas informações neste artigo".
Formas nominais do verbo
São três as formas nominais do verbo, que não apresentam flexão de tempo e modo, perdendo desta maneira algumas das características principais dos verbos. Por serem tomadas como nomes (substantivos, adjetivos e advérbios), recebem o nome de formas nominais.
As três formas são:
• Infinitivo: indica a ação propriamente dita, sem situá-la no tempo, desempenhando função semelhante a substantivo.
É preciso aumentar o número de verbetes.
O infinitivo pode apresentar algumas vezes flexão em pessoa, constituindo assim duas formas possíveis: o infinitivo pessoal e o infinitivo impessoal.
É melhor estudarmos agora. (infinitivo pessoal, com sujeito nós implícito).
Viver aqui é muito bom. (infinitivo impessoal)
• Particípio: indica uma ação já acabada, finalizada, adquirindo uma função parecida com a de um adjetivo ou advérbio.
Finalizado o wikiconcurso, os ganhadores serão notificados.
O particípio é reconhecido pelas terminações ado,ido. Exemplo:acabado,finalizado,vivido. Contradições: feito(fazido-errado),escrito (escrevido-errado), coberto(cobrido-errado).
• Gerúndio: indica uma ação em andamento, um processo verbal ainda não finalizado. Pode ser usado em tempos verbais compostos ou sozinho, quando adquire uma função de advérbio.
Estou finalizando os exemplos deste verbete. (tempo composto)
Fazendo teu trabalho antecipadamente, não terás preocupações. (gerúndio sozinho com função de advérbio).
O gerúndio é reconhecido pela terminação ndo. Exemplo: andando, comendo, rindo.
• Supino: Em gramática, supino é uma forma verbo-nominal usada em alguns idiomas. No português o supino é usado com a preposição para mais um verbo.
EX.:ela entristeceu-se|nom-ela ficou triste
Verbos em outros idiomas
• As línguas românicas, como o português, são algumas das que mais possuem flexões de verbos. Todas elas, bem como o latim, têm flexões em todos os tempos, modos e pessoas. O português, entretanto, tem a peculiaridade de ter um infinitivo pessoal e um infinitivo impessoal.
• Nas línguas germânicas, quase sempre o infinitivo é representado por uma preposição: "to" em inglês ou "att" em sueco. Sem a preposição, o verbo representa o imperativo. O tempo futuro é sempre representado por um verbo auxiliar. Não há flexão de modo.
• Nas línguas escandinavas não há flexão de pessoa, a mesma forma verbal de um tempo vale para todas as pessoas.
• Em finlandês o verbo dispensa o pronome, tendo apenas a flexão.
• Em húngaro e em alemão existem as flexões de tempo e de aspecto. Há apenas um tempo presente e passado simples e o aspecto é designado por prefixos. Vale notar que um mesmo prefixo pode ter significados diferentes dependendo do verbo. A flexão de aspecto designa a circunstância em que se passa a ação.
• Em latim o verbo se flexiona em tempo (presente, pretérito perfeito, pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito, futuro do presente e futuro do pretérito), modo (indicativo, subjuntivo, imperativo), pessoa e voz (ativa e passiva). Há quatro formas nominais: o infinitivo, o gerúndio, o particípio e o supino. As três primeiras têm tempo presente, passado e futuro. O supino é invariável.
• Em japonês os verbos não variam conforme pessoa e número; no entanto, são flexionados de acordo com estilo (comum e polido), tempo (passado e não-passado), e modo (são vários: indicativo, gerundivo, passivo, potencial, causativo, condicional, imperativo, desiderativo, volitivo) - as flexões contendo uma forma afirmativa e uma forma negativa.[1]
• Em coreano os verbos são palavras invariáveis. O tempo e o modo são representados por advérbios, e a pessoa é representada por pronomes.
• Em mandarim a forma interrogativa dos verbos é formada por uma estrutura gramatical formada pelo verbo, a palavra "bù" (不) - que significa "não" - e o verbo repetido. Como se se perguntasse "fazer ou não fazer?".
Verbo é o nome dado à classe gramatical que designa uma ocorrência ou situação. É uma das duas classes gramaticais nucleares do idioma, sendo a outra o substantivo. É o verbo que determina o tipo do predicado, que pode ser predicado verbal, nominal ou verbo-nominal. O verbo pode designar ação, estado ou fenômeno da natureza.
Classificação
Os verbos admitem vários tipos de classificação, que englobam aspectos tanto semânticos quanto morfológicos. Podem ser divididos da seguinte forma:
Quanto à semântica
• Verbos transitivos: Designam ações voluntárias, causadas por um ou mais indivíduos, e que afetam outro(s) indivíduo(s) ou alguma coisa, exigindo um ou mais objetos na ação. Podem ser transitivos diretos que não possuem sentido completo,logo ele necessita de um complemento,sendo este complemento chamado de objeto direto.E verbo transitivo indireto-Que também não possue sentido completo e necessita de um objeto indireto,que necessariamente exigem uma preposição antes do objeto. Exemplos: dar,comer, fazer, vender, escrever, amar etc.
• Verbos intransitivos: Designam ações que não afetam outros indivíduos. Exemplos: andar, existir, nadar, voar etc.
• Verbos impessoais: São verbos que designam ações involuntárias. Geralmente (mas nem sempre) designam fenômenos da natureza e, portanto, não têm sujeito nem objeto na oração. Exemplos: chover, anoitecer, nevar, haver (no sentido de existência) etc. Todo verbo impessoal é também intransitivo.
• Verbos de ligação: São os verbos que não designam ações; apenas servem para ligar o sujeito ao predicativo. Exemplos: ser, estar, parecer, permanecer, continuar, andar, tornar-se, ficar, viver, virar etc.
Quanto à conjugação
• Verbos da primeira conjugação: São os verbos terminados em ar: molhar, cortar, relatar, etc.
• Verbos da segunda conjugação: são os verbos terminados em er: receber, conter, poder etc. O verbo anômalo pôr (único com o tema em o), com seus compostos, também é considerado da segunda conjugação devido à sua conjugação já antes realizada (Ex: fizeste, puseste), decorrente de sua antiga forma latina poer.
• Verbos da terceira conjugação: são os verbos terminados em ir: sorrir, fugir, iludir, cair, colorir, etc ==
Quanto à morfologia
• Verbos regulares: Flexionam sempre de acordo com os paradigmas da conjugação a que pertencem. Exemplos: amar, vender, partir, etc.
• Verbos irregulares: Sofrem algumas modificações em relação aos paradigmas da conjugação a que pertencem. Exemplos: resfolegar, caber, medir ("eu resfolgo", "eu caibo", "eu meço", e não "eu resfolego", "eu cabo", "eu medo").
• Verbos anômalos: Verbos que não seguem os paradigmas da conjugação a que pertence, sendo que muitas vezes o radical é diferente em cada conjugação. Exemplos: ir, ser, ter ("eu vou", "ele foi"; "eu sou", "tu és", "ele tinha", "eu tivesse", e não "eu io", "ele iu", "eu sejo", "tu sês", "ele tia", "eu tesse"). O verbo "pôr" pertence à segunda conjugação e é anômalo a começar do próprio infinitivo.
• Verbos defectivos: Verbos que não têm uma ou mais formas conjugadas. Exemplo: precaver - não existe a forma "precavenha".
• Verbos abundantes: Verbos que apresentam mais de uma forma de conjugação. Exemplos: encher - enchido, cheio; fixar - fixado, fixo.
Flexão
Os verbos têm as seguintes categorias de flexão:
• Número: singular e plural.
• Pessoa: primeira (transmissor), segunda (receptor), terceira (mensagem).
• Modo: indicativo,subjuntivo e imperativo, alem das formas nominais (infinitivo, gerúndio e particípio).
• Tempo: presente, pretérito perfeito, pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito, futuro do presente, futuro do pretérito.
• Voz: ativa, passiva (analítica ou sintética), reflexiva.
Ativa: O sujeito da oração é que faz a ação. Ele sempre fica na frente da frase.
Ex : Os alunos resolveram todas questões.
Passiva : O sujeito recebe a ação.Ele sempre fica no final da frase.
Ex : Todas questões foram resovidas pelos alunos.
Reflexiva : O sujeito faz e também recebe a ação.
Ex: Ana se cortou.
Modo e tempo verbal
Modos e tempos verbais são dois tipos de flexão (variação, mudança) que os verbos apresentam, a fim de dar uma maior clareza quanto ao momento e formas da ação, estado ou fenômeno natural.
Na língua portuguesa, o Verbo pode sofrer as flexões de:
• modo e tempo;
• número - singular e plural; e
• pessoa - primeira (eu; nós), segunda (tu, vós) e terceira (ele(a), eles(as) e você(s))
Modos verbais
As flexões de Modo determinam as diversas atitudes da pessoa que fala com relação ao fato enunciado. Assim:
• uma atitude que expressa certeza com relação ao fato que aconteceu, que acontece ou que acontecerá, é característica do Modo Indicativo. Exemplos:
o Ele trabalhou ontem.
o Ela está em casa.
o Nós iremos amanhã.
• uma atitude que revela uma incerteza, uma dúvida ou uma hipótese é característica do Modo Subjuntivo (ou Conjuntivo). Exemplos:
o Se eu trabalhasse, ...
o Quando eu partir, ...
• uma atitude que expressa uma ordem, um pedido, um conselho, uma vontade ou um desejo é característica do Modo Imperativo. Exemplo:
o Faça isto, agora!
Com relação ao Tempo, podemos expressar um facto basicamente de três maneiras diferentes:
1. No presente: significa que o fato está acontecendo relativamente ao momento em que se fala;
2. No pretérito: significa que o fato já aconteceu relativamente ao momento em que se fala;
3. No futuro: significa que o fato ainda irá acontecer relativamente ao momento em que se fala.
Entretanto, as possibilidades de se localizar um processo no tempo podem ser ampliadas de acordo com as necessidades da pessoa que fala ou que relata um evento. Neste contexto, a Língua Portuguesa oferece-nos as seguintes possibilidades para combinarmos Modos e Tempos:
Modo Indicativo
Expressa certeza absolutamente apresentando o fato de uma maneira real, certa, positiva.
Presente do Indicativo
Expressa o fato no momento em que se fala.
• O aluno lê um poema.
• Posso afirmar que meus valores mudaram.
• Um aluno dorme.
Pretérito Imperfeito
Expressa o passado inacabado, um processo anterior ao momento em que se fala, mas que durou um tempo no passado, ou ainda, um fato habitual,diário. Por isto, chama-se este tempo verbal de pretérito imperfeito, pois não se refere a um conceito situado perfeitamente num contexto de passado.
Emprega-se o pretérito imperfeito do Indicativo para assinalar:
• um fato passado contínuo, permanente ou habitual, ou casual.
o Eles vendiam sempre fiado.
o "Uma noite, eu me lembro... ela dormia"
Numa rede encostada molemente (Castro Alves, Adormecida).
o Ela vendia flores
o "Glória usava no peito um broche com um medalhão de duas faces." (Raquel de Queirós, As Três Marias).
• um fato passado, mas de incerta localização no tempo:
o Era uma vez, ...
• um fato presente em relação a outro passado, indicando a simultaneidade de ambos os fatos:
o Eu lia quando ela chegou.
o "Nessa mesma noite, leu-lhe o artigo em que advertia o partido da conveniência de não ceder às perfídias do poder." (poema de Quincas Borba).
Pretérito Perfeito
Indica um fato já ocorrido, concluído. Daí o nome: Pretérito Perfeito; referindo-se a um fato que se situa perfeitamente no passado. Emprega-se o Pretérito Perfeito do Indicativo para assinalar:
• um fato já ocorrido ou concluído:
o "Trocaram beijos ao luar tranqüilo." (Augusto Gil, Luar de Janeiro)
o "Andei longe terras,
Lidei cruas guerras,
Vaguei pelas serras,
Dos vis Aimorés." (Gonçalves Dias, I-Juca-Pirama).
o Posso afirmar que meus valores mudaram.
o "Apanhou o rifle, saiu ao meio da trilha e detonou."(Coelho Neto, Banzo).
• Na forma composta, é usado para indicar uma ação que se prolonga até ao momento presente; através da locução verbal, na qual se usa o particípio.
o Tenho estudado todas as noites.
o "Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo." (Fernando Pessoa, Poema em Linha Reta - caio)
Pretérito Mais-Que-Perfeito
Emprega-se o pretérito mais-que-perfeito para assinalar um fato passado em relação a outro também no passado (o passado do passado, algo que aconteceu antes de outro fato também passado).
O pretérito mais-que-perfeito aparece nas formas simples e composta, sendo que a primeira costuma aparecer em discursos mais formais e a segunda, na fala coloquial.
• Exemplos de usos do pretérito mais-que-perfeito simples:
o Ele comprou o apartamento com o dinheiro do carro que vendera.
o "Levava comigo um retrato de Maria Cora; alcançara-o dela mesma ... com uma pequena dedicatória cerimoniosa." (Machado de Assis, Relíquias de Casa)
o Morava .. no arraial de São Gonçalo da Ponte, cuja ponte o rio levara, deixando dela somente os pilares de alvenaria." (Gustavo Barroso, O Sertão e o Mundo)
• Exemplos de usos do pretérito mais que perfeito composto:
o Quando eu cheguei, ela já tinha saído.
o Tinha chovido muito naquela noite.
Te dou meu coração, quisera dar o mundo
Futuro do presente composto
Este tempo só existe na forma composta. Assinala um fato posterior ao tempo atual, mas anterior a outro fato futuro.
Exemplo: "Até meus bisnetos nascerem, eu terei me aposentado".
Futuro do Presente
Emprega-se o futuro do presente para assinalar uma ação que ocorrerá no futuro relativamente ao momento em que se fala.
• Se eleito, lutarei pelos menores carentes.
• "... era Vadinho, herói indiscutível, jamais outro virá tão íntimo das estrelas, dos dados e das prostitutas, ... " (Jorge Amado, Dona Flor e Seus Dois Maridos)
• "A qual escolherei, se, neste estado,
Eu não sei distinguir esta daquela?" (Alvarenga Peixoto, Jôninha e Nice).
Exemplos de futuro composto:
• Ele vai fazer (fará) compras e vai voltar (voltará) em breve.
Futuro do Pretérito / Condicional
Emprega-se o futuro do pretérito para assinalar:
• Um fato futuro em relação a outro no passado
o "Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria. (Álvares Azevedo, Se Eu Morresse Amanhã).
o "Ia levar homens para o quarto. Como era boa de cama, pagar-lhe-iam muito bem." (Clarice Lispector, A Via-Crúcis do Corpo)
• Uma ironia ou um pedido de cortesia:
o Daria para fazer silêncio!
o Poderia fazer o favor de sair!?
Modo Subjuntivo (ou Conjuntivo)
Revela um fato duvidoso, incerto.
Presente
Emprega-se o presente do subjuntivo para assinalar:
• um fato presente, mas duvidoso ou incerto.
o Talvez eles façam tudo aquilo que nós pedimos.
o Talvez ele saiba sobre o que está falando.
• um facto futuro, mas duvidoso ou incerto
o Talvez eles venham amanhã.
• um desejo ou uma vontade
o Espero que eles façam o serviço correctamente.
o Se choro... bebe o meu pranto a areia ardente;
talvez... p'ra que meu pranto, ó Deus clemente!
Não descubras no chão... (Castro Alves, Vozes d'África)
o Espero que tragam-me o dinheiro
Pretérito Imperfeito
Emprega-se o pretérito imperfeito do subjuntivo para assinalar:
• uma hipótese ou uma condição numa ação passada, mas posterior e dependente de outra ação passada.
o "Talvez a lágrima subisse do coração à pupila ..." (Coelho Neto, Sertão)
o "Como fizesse bom tempo, as senhoras combinaram em tomar o café na chácara." (Aluísio Azevedo, Casa de Pensão)
o "Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje vencido, como se estivesse para morrer." (Fernando Pessoa, Tabacaria - Álvaro de Campos)
• uma condição contrafactual, ou seja, que não se verifica na realidade, que teria uma certa consequência; pode se referir ao passado, ao presente ou ao futuro.
o Se ele estivesse aqui ontem, poderia ter ajudado.
o Se ele estivesse aqui agora, poderia ajudar.
o Se ele viesse amanhã, poderia ajudar.
Futuro
Emprega-se o futuro do subjuntivo para assinalar uma possibilidade a ser concluída em relação a um fato no futuro, uma ação vindoura, mas condicional a outra ação também futura.
• Quando eu voltar, saberei o que fazer.
• Quando os sinos badalarem nove horas, voltarei para casa.
Também pode indicar uma condição incerta, presente ou futura.
• Se ele estiver lá amanhã, certamente ela também estará.
Futuro Composto
Emprega-se para exprimir uma possibilidade incerta, num tempo passado, ou num tempo passado em relação a um tempo futuro.
• Se ela tiver chegado a tempo ontem, terá sido ótimo
• Ao final das provas, se ele tiver sido aprovado, pararão de falar mal dele.
Pretérito Perfeito
Emprega o passado com relação a um futuro certo.
• Caso eu tenha sido escolhido, ficarei muito feliz.
Pretérito Mais-que-Perfeito Composto
Formado pelo imperfeito do subjuntivo do verbo auxiliar (ter, haver) mais o particípio do verbo principal Tem valor semelhante ao Imperfeito do subjuntivo Ex: Eu teria caminhado todos os dias desse ano, se não tivesse trabalhado tanto.
Eu teria viajado se não tivesse chovido
Obs: Perceba que todas as frases remetem a ação para o passado. A frase Se eu estudasse, aprenderia é diferente de Se eu tivesse estudado, teria aprendido
Imperativo
Exprime uma atitude de solicitação, mando. É formado por afirmativo e negativo.
Este modo verbal não possui a primeira pessoa do singular (eu), pois não podemos mandar em nós mesmos. Uma atitude que expressa uma ordem, um pedido, um conselho, uma vontade ou um desejo é característica do Modo Imperativo. Exemplo: Faça isto, agora! Com relação ao Tempo, podemos expressar um fato basicamente de três maneiras diferentes:
• No presente: significa que o fato está acontecendo relativamente ao momento em que se fala;
• No pretérito: significa que o fato já aconteceu relativamente ao momento em que se fala;
• No futuro: significa que o facto ainda irá acontecer relativamente ao momento em que se fala.
Entretanto, as possibilidades de se localizar um processo no tempo podem ser ampliadas de acordo com as necessidades da pessoa que fala ou que relata um evento. Neste contexto, a língua portuguesa oferece-nos as seguintes possibilidades para combinarmos modos e tempo
Exemplo
•
o Parcele sua compra!
o Faça sua tarefa!
o Lave a louça!
o Escove os dentes!
o Compre aqui e ganhe um brinde!
Gerúndio
Uma ação que está acontecendo. No português, é terminado por "ando", "endo" e "indo" (no caso do verbo pôr e seus derivados, terminado em "ondo"). Exemplos: "Eu estou falando contigo"; "Nós estamos correndo em círculos!"; "Eles estão indo para a escola."; "Estou pondo novas informações neste artigo".
Formas nominais do verbo
São três as formas nominais do verbo, que não apresentam flexão de tempo e modo, perdendo desta maneira algumas das características principais dos verbos. Por serem tomadas como nomes (substantivos, adjetivos e advérbios), recebem o nome de formas nominais.
As três formas são:
• Infinitivo: indica a ação propriamente dita, sem situá-la no tempo, desempenhando função semelhante a substantivo.
É preciso aumentar o número de verbetes.
O infinitivo pode apresentar algumas vezes flexão em pessoa, constituindo assim duas formas possíveis: o infinitivo pessoal e o infinitivo impessoal.
É melhor estudarmos agora. (infinitivo pessoal, com sujeito nós implícito).
Viver aqui é muito bom. (infinitivo impessoal)
• Particípio: indica uma ação já acabada, finalizada, adquirindo uma função parecida com a de um adjetivo ou advérbio.
Finalizado o wikiconcurso, os ganhadores serão notificados.
O particípio é reconhecido pelas terminações ado,ido. Exemplo:acabado,finalizado,vivido. Contradições: feito(fazido-errado),escrito (escrevido-errado), coberto(cobrido-errado).
• Gerúndio: indica uma ação em andamento, um processo verbal ainda não finalizado. Pode ser usado em tempos verbais compostos ou sozinho, quando adquire uma função de advérbio.
Estou finalizando os exemplos deste verbete. (tempo composto)
Fazendo teu trabalho antecipadamente, não terás preocupações. (gerúndio sozinho com função de advérbio).
O gerúndio é reconhecido pela terminação ndo. Exemplo: andando, comendo, rindo.
• Supino: Em gramática, supino é uma forma verbo-nominal usada em alguns idiomas. No português o supino é usado com a preposição para mais um verbo.
EX.:ela entristeceu-se|nom-ela ficou triste
Verbos em outros idiomas
• As línguas românicas, como o português, são algumas das que mais possuem flexões de verbos. Todas elas, bem como o latim, têm flexões em todos os tempos, modos e pessoas. O português, entretanto, tem a peculiaridade de ter um infinitivo pessoal e um infinitivo impessoal.
• Nas línguas germânicas, quase sempre o infinitivo é representado por uma preposição: "to" em inglês ou "att" em sueco. Sem a preposição, o verbo representa o imperativo. O tempo futuro é sempre representado por um verbo auxiliar. Não há flexão de modo.
• Nas línguas escandinavas não há flexão de pessoa, a mesma forma verbal de um tempo vale para todas as pessoas.
• Em finlandês o verbo dispensa o pronome, tendo apenas a flexão.
• Em húngaro e em alemão existem as flexões de tempo e de aspecto. Há apenas um tempo presente e passado simples e o aspecto é designado por prefixos. Vale notar que um mesmo prefixo pode ter significados diferentes dependendo do verbo. A flexão de aspecto designa a circunstância em que se passa a ação.
• Em latim o verbo se flexiona em tempo (presente, pretérito perfeito, pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito, futuro do presente e futuro do pretérito), modo (indicativo, subjuntivo, imperativo), pessoa e voz (ativa e passiva). Há quatro formas nominais: o infinitivo, o gerúndio, o particípio e o supino. As três primeiras têm tempo presente, passado e futuro. O supino é invariável.
• Em japonês os verbos não variam conforme pessoa e número; no entanto, são flexionados de acordo com estilo (comum e polido), tempo (passado e não-passado), e modo (são vários: indicativo, gerundivo, passivo, potencial, causativo, condicional, imperativo, desiderativo, volitivo) - as flexões contendo uma forma afirmativa e uma forma negativa.[1]
• Em coreano os verbos são palavras invariáveis. O tempo e o modo são representados por advérbios, e a pessoa é representada por pronomes.
• Em mandarim a forma interrogativa dos verbos é formada por uma estrutura gramatical formada pelo verbo, a palavra "bù" (不) - que significa "não" - e o verbo repetido. Como se se perguntasse "fazer ou não fazer?".
terça-feira, 15 de setembro de 2009
AdvérbiosAdvérbios
ADVÉRBIOS - Teoria
Advérbio é a palavra que indica as circunstâncias em que ocorre a ação verbal
De acordo com a circunstância que exprime, o advérbio pode ser:
• Tempo – Ontem, breve, ainda, antigamente...
• Lugar – Aqui, abaixo, além, dentro...
• Modo – bem, mal, assim, depressa, devagar e a maior parte dos que terminam em –mente: calmamente, suavemente...
• Afirmação – sim, deveras, certamente, realmente...
• Negação – não, absolutamente, tampouco.
• Dúvida – talvez, acaso, porventura, provavelmente...
• Intensidade – muito, bastante, mais, demais...
Observações:
1ª) Forma-se advérbio derivado do adjetivo com acréscimo de –mente: tristemente(de triste), docemente(de doce), felizmente(de feliz), alegremente(de alegre) etc.
2ª) Tampouco equivale a também não. É usado após oração declarativa.
EX.: Ele não me fez promessas nem eu tampouco a ele.
Há palavras como muito, bastante etc. que podem aparecer como advérbio e como pronome indefinido.
Advérbio: refere-se a um verbo, adjetivo ou a outro advérbio e não sofre flexões.
Ex.: Eu corri muito. (advérbio)
Eu corri bastante. (advérbio)
Pronome indefinido: relaciona-se a um substantivo e sofre flexões.
Ex.: Eu corri muitos quilômetros. (pronome indefinido)
Eu corri bastantes quilômetros. (pronome indefinido)
Flexão do advérbio
O advérbio é uma classe invariável em gênero e número, mas flexiona-se em grau. À semelhança do adjetivo, admite dois graus: comparativo e superlativo.
Grau comparativo:
• De igualdade – tão + advérbio + quanto (como)
Ex.: Renata fala tão alto quanto João.
• De inferioridade – Menos + advérbio + que (do que)
Ex.: Renata fala menos alto quanto João.
• De superioridade – Analítico: mais + advérbio + que (do que)
Ex.: Renata fala mais alto do que João.
Sintético: melhor ou pior que (do que)
Ex.: Renata fala melhor que João.
Renata fala pior que João.
Grau superlativo:
• Absoluto – Analítico: acompanhado de outro advérbio
Ex.: Renata fala muito alto.
Sintético: formado com sufixos
Ex.: Renata fala altíssimo.
Observações:
1ª) As formas diminutivas (cedinho, pertinho, agorinha, depressinha etc) são comuns na língua popular.
Ex.: Mora pertinho daqui. (muito perto)
Locução adverbial
É o conjunto de duas ou mais palavras com valor de advérbio.
Ex.: Ele virá com certeza. Ele chegou de repente.
As locuções adverbiais classificam-se, como os advérbios, de acordo com a circunstância que exprimem.
• Assunto – O conferencista falou sobre literatura brasileira.
• Companhia – Foi ao teatro com os amigos.
• Concessão – Foi, apesar da proibição.
• Condição – Só sairá da escola com autorização.
• Conformidade – Fez o edifício conforme o projeto.
• Fim – Preparou-se com afinco para os exames de vestibular.
• Instrumento – Redigiu o texto final com uma caneta tinteiro.
Advérbios interrogativos
São advérbios interrogativos: quando(de tempo), como(de modo), onde(de lugar), por que(de causa). Podem aparecer tanto nas interrogativas diretas quanto nas indiretas.
Interrogativas diretas Interrogativas indiretas
Quando viajaremos? Não sei quando viajaremos.
Onde você estuda? Não sei onde você estuda.
Obs.: Não confunda advérbios interrogativos com pronomes interrogativos.
Pronomes interrogativos: Que, quem, qual(e variações), quanto (e variações).
Adjetivos adverbializados
São adjetivos adverbializados aqueles empregados com valor de advérbio e que por isso se mantêm invariáveis:
Terminamos rápido o trabalho. (rapidamente).
Vencemos fácil o adversário. (facilmente)
Ela foi direto ao chefe pedir apoio. (diretamente)
Advérbio é a palavra que indica as circunstâncias em que ocorre a ação verbal
De acordo com a circunstância que exprime, o advérbio pode ser:
• Tempo – Ontem, breve, ainda, antigamente...
• Lugar – Aqui, abaixo, além, dentro...
• Modo – bem, mal, assim, depressa, devagar e a maior parte dos que terminam em –mente: calmamente, suavemente...
• Afirmação – sim, deveras, certamente, realmente...
• Negação – não, absolutamente, tampouco.
• Dúvida – talvez, acaso, porventura, provavelmente...
• Intensidade – muito, bastante, mais, demais...
Observações:
1ª) Forma-se advérbio derivado do adjetivo com acréscimo de –mente: tristemente(de triste), docemente(de doce), felizmente(de feliz), alegremente(de alegre) etc.
2ª) Tampouco equivale a também não. É usado após oração declarativa.
EX.: Ele não me fez promessas nem eu tampouco a ele.
Há palavras como muito, bastante etc. que podem aparecer como advérbio e como pronome indefinido.
Advérbio: refere-se a um verbo, adjetivo ou a outro advérbio e não sofre flexões.
Ex.: Eu corri muito. (advérbio)
Eu corri bastante. (advérbio)
Pronome indefinido: relaciona-se a um substantivo e sofre flexões.
Ex.: Eu corri muitos quilômetros. (pronome indefinido)
Eu corri bastantes quilômetros. (pronome indefinido)
Flexão do advérbio
O advérbio é uma classe invariável em gênero e número, mas flexiona-se em grau. À semelhança do adjetivo, admite dois graus: comparativo e superlativo.
Grau comparativo:
• De igualdade – tão + advérbio + quanto (como)
Ex.: Renata fala tão alto quanto João.
• De inferioridade – Menos + advérbio + que (do que)
Ex.: Renata fala menos alto quanto João.
• De superioridade – Analítico: mais + advérbio + que (do que)
Ex.: Renata fala mais alto do que João.
Sintético: melhor ou pior que (do que)
Ex.: Renata fala melhor que João.
Renata fala pior que João.
Grau superlativo:
• Absoluto – Analítico: acompanhado de outro advérbio
Ex.: Renata fala muito alto.
Sintético: formado com sufixos
Ex.: Renata fala altíssimo.
Observações:
1ª) As formas diminutivas (cedinho, pertinho, agorinha, depressinha etc) são comuns na língua popular.
Ex.: Mora pertinho daqui. (muito perto)
Locução adverbial
É o conjunto de duas ou mais palavras com valor de advérbio.
Ex.: Ele virá com certeza. Ele chegou de repente.
As locuções adverbiais classificam-se, como os advérbios, de acordo com a circunstância que exprimem.
• Assunto – O conferencista falou sobre literatura brasileira.
• Companhia – Foi ao teatro com os amigos.
• Concessão – Foi, apesar da proibição.
• Condição – Só sairá da escola com autorização.
• Conformidade – Fez o edifício conforme o projeto.
• Fim – Preparou-se com afinco para os exames de vestibular.
• Instrumento – Redigiu o texto final com uma caneta tinteiro.
Advérbios interrogativos
São advérbios interrogativos: quando(de tempo), como(de modo), onde(de lugar), por que(de causa). Podem aparecer tanto nas interrogativas diretas quanto nas indiretas.
Interrogativas diretas Interrogativas indiretas
Quando viajaremos? Não sei quando viajaremos.
Onde você estuda? Não sei onde você estuda.
Obs.: Não confunda advérbios interrogativos com pronomes interrogativos.
Pronomes interrogativos: Que, quem, qual(e variações), quanto (e variações).
Adjetivos adverbializados
São adjetivos adverbializados aqueles empregados com valor de advérbio e que por isso se mantêm invariáveis:
Terminamos rápido o trabalho. (rapidamente).
Vencemos fácil o adversário. (facilmente)
Ela foi direto ao chefe pedir apoio. (diretamente)
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Pérolas
As Pérolas
Carlos Drummond de Andrade
Dentro do pacote de açúcar, Renata encontrou uma pérola. A pérola era evidentemente para Renata, que sempre desejou possuir um colar de pérolas, mas sua profissão de doceira não dava para isso.
– Agora vou esperar que cheguem as outras pérolas – disse Renata, confiante. E ativou a fabricação de doces, para esvaziar mais pacotes de açúcar.
Os clientes queixavam-se de que os doces de Renata estavam demasiado doces, e muitos devolviam as encomendas. Por que não aparecia outra pérola? Renata deixou de ser doceira qualificada, e ultimamente só fazia arroz-doce. Envelheceu.
A menina que provou o arroz-doce, aquele dia, quase ia quebrando um dente, ao mastigar um pedaço encaroçado. O caroço era uma pérola. A mãe não quis devolvê-la a Renata, e disse: “Quem sabe se não aparecerão outras, e eu farei com elas um colar de pérolas? Vou encomendar arroz doce toda semana”.
Ativar: Tornar mais ativo; incrementar; impulsionar.
Qualificado: habilitado; que possui qualificação.
Linguagem Nova 5. P. 23
Carlos Drummond de Andrade
Dentro do pacote de açúcar, Renata encontrou uma pérola. A pérola era evidentemente para Renata, que sempre desejou possuir um colar de pérolas, mas sua profissão de doceira não dava para isso.
– Agora vou esperar que cheguem as outras pérolas – disse Renata, confiante. E ativou a fabricação de doces, para esvaziar mais pacotes de açúcar.
Os clientes queixavam-se de que os doces de Renata estavam demasiado doces, e muitos devolviam as encomendas. Por que não aparecia outra pérola? Renata deixou de ser doceira qualificada, e ultimamente só fazia arroz-doce. Envelheceu.
A menina que provou o arroz-doce, aquele dia, quase ia quebrando um dente, ao mastigar um pedaço encaroçado. O caroço era uma pérola. A mãe não quis devolvê-la a Renata, e disse: “Quem sabe se não aparecerão outras, e eu farei com elas um colar de pérolas? Vou encomendar arroz doce toda semana”.
Ativar: Tornar mais ativo; incrementar; impulsionar.
Qualificado: habilitado; que possui qualificação.
Linguagem Nova 5. P. 23
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Pequena fábula de Diamantina
Veja a que ponto pode levar a ambição...
PEQUENA FÁBULA DE DIAMANTINA
Marina Colasanti
Tendo herdado a casa do avô na cidade distante, para lá mudou-se com toda a família, contente de retomar o contato com suas origens. Em poucos dias, já trocava dedos de prosa com o farmacêutico , o tabelião e o juiz. E por eles ficou sabendo, entre uma conversa e outra, que a casas daquela região eram construídas com areia de aluvião, onde não raro se encontravam pequenos diamantes.
A notícia incrustou-se em sua mente. Olhava os garimpeiros que à beira de rios e córregos ondulavam suas bateias, olhava os meninos que cavoucavam os montes de areia já explorada onde, ainda assim, talvez fosse possível descobrir o brilho amarelado de pedra bruta. Ouvia as estórias de fantásticos achados.
Por fim, uma tarde, alegando cansaço após o almoço farto, trancou-se no quarto e, afastado o armário, começou com a ajuda de uma faca a raspar a parede por trás deste. Raspava, examinava a cavidade, os resíduos que tinha na mão e que cuidadoso despejava num saco de papel. E recomeçava. Assim, durante mais de hora. Assim, a partir daí, todas as tardes.
Já estava quase transparente a parede atrás do armário, e ele se preparava para agir atrás da cômoda quando, tendo esquecido de trancar a porta, foi surpreendido pela mulher. Outro remédio não teve senão explicar-lhe o porquê de sua estranha atividade. Ao que ela, armada por sua vez de faca e reclamando posse territorial, partiu para a parede da despensa. Onde, dali a pouco, foi descoberta pela empregada. A qual reivindicou direito às paredes da cozinha. Tão evidentes, que rapidamente as crianças perceberam, atacando cada uma um lado do corredor.
De dia e de noite, raspam e raspam os familiares, álacres como ratos, abrindo vãos, esburacando entre as estruturas, roendo com suas facas na procura cada vez mais excitada. Abre-se aos poucos a casa descarnada, recortadas em renda suas paredes. Geme o telhado, cedem as estruturas. Até que tudo vem abaixo numa grande nuvem de pó.
Agora com as unhas, raspam os familiares o monte de entulho. Quem sabe, sob os escombros espera, escondido, o diamante.
Linguagem Nova 7 Faraco e Moura p. 156
Aluvião – Depósito de lodo, areia, cascalho, argila deixado por inundações ou enchentes.
Bateia – Vasilha de madeira onde se lava areias auríferas (ouro).
Álacre – Alegre, jovial, animado.
PEQUENA FÁBULA DE DIAMANTINA
Marina Colasanti
Tendo herdado a casa do avô na cidade distante, para lá mudou-se com toda a família, contente de retomar o contato com suas origens. Em poucos dias, já trocava dedos de prosa com o farmacêutico , o tabelião e o juiz. E por eles ficou sabendo, entre uma conversa e outra, que a casas daquela região eram construídas com areia de aluvião, onde não raro se encontravam pequenos diamantes.
A notícia incrustou-se em sua mente. Olhava os garimpeiros que à beira de rios e córregos ondulavam suas bateias, olhava os meninos que cavoucavam os montes de areia já explorada onde, ainda assim, talvez fosse possível descobrir o brilho amarelado de pedra bruta. Ouvia as estórias de fantásticos achados.
Por fim, uma tarde, alegando cansaço após o almoço farto, trancou-se no quarto e, afastado o armário, começou com a ajuda de uma faca a raspar a parede por trás deste. Raspava, examinava a cavidade, os resíduos que tinha na mão e que cuidadoso despejava num saco de papel. E recomeçava. Assim, durante mais de hora. Assim, a partir daí, todas as tardes.
Já estava quase transparente a parede atrás do armário, e ele se preparava para agir atrás da cômoda quando, tendo esquecido de trancar a porta, foi surpreendido pela mulher. Outro remédio não teve senão explicar-lhe o porquê de sua estranha atividade. Ao que ela, armada por sua vez de faca e reclamando posse territorial, partiu para a parede da despensa. Onde, dali a pouco, foi descoberta pela empregada. A qual reivindicou direito às paredes da cozinha. Tão evidentes, que rapidamente as crianças perceberam, atacando cada uma um lado do corredor.
De dia e de noite, raspam e raspam os familiares, álacres como ratos, abrindo vãos, esburacando entre as estruturas, roendo com suas facas na procura cada vez mais excitada. Abre-se aos poucos a casa descarnada, recortadas em renda suas paredes. Geme o telhado, cedem as estruturas. Até que tudo vem abaixo numa grande nuvem de pó.
Agora com as unhas, raspam os familiares o monte de entulho. Quem sabe, sob os escombros espera, escondido, o diamante.
Linguagem Nova 7 Faraco e Moura p. 156
Aluvião – Depósito de lodo, areia, cascalho, argila deixado por inundações ou enchentes.
Bateia – Vasilha de madeira onde se lava areias auríferas (ouro).
Álacre – Alegre, jovial, animado.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Artigo
Artigo
Artigos são palavras que precedem aos substantivos (ou seja vem antes dos substantivos) para determiná-lo ou indeterminá-lo.
Os artigos definidos (o, a, os, as), de modo geral, indicam seres determinados, conhecidos da pessoa que fala ou escreve.
• Falei com o médico.
• Já encontramos os livros perdidos.
Os artigos indefinidos (um, uma , uns, umas) indicam os seres de modo vago, impreciso.
• Uma pessoa lhe telefonou.
• Uns garotos faziam barulho na rua.
Os artigos definidos são declináveis, podendo se combinar com algumas preposições, formando os seguintes casos:
• Genitivo: do, da, dos, das (preposição "de")
• Locativo: no, na, nos, nas (preposição "em")
• Dativo: ao, à, aos, às (preposição "a")
• Ablativo: pelo, pela, pelos, pelas (preposição "por")
• Comitativo (em desuso): co, coa, cos, coas (preposição "com")
Observações sobre alguns empregos dos artigos.
• 1. O artigo definido, no singular, pode indicar toda a espécie:
•
o A águia enxerga das alturas.
o O homem é mortal.
• 2. É facultativo (opcional) o uso do artigo com os pronomes possessivos:
•
o Sua intenção era das melhores.
o A 'sua intenção era das melhores.
• 3. Os nomes próprios podem vir com artigo:
•
o Os Oliveiras vêm jantar conosco.
o O Antônio é bom pedreiro.
• 4. Muitos nomes próprios de lugares admitem o artigo, outros não:
• a Bahia, o Amazonas, Santa Catarina, Goiás, os Andes.
• 5. O artigo indefinido pode realçar (dar intensidade a) uma idéia:
Ele falava com uma segurança que impressionava a todos!
•
o Era uma euforia, uma festa, como jamais se viu!
• 6. O indefinido pode, também, dar idéia de aproximação:
•
o Eu devia ter uns quinze anos, quando isso aconteceu.
• 7. A palavra todo(a) pode variar do sentido, se vier ou não acompanhada de artigo:
•
o Toda a casa ficou alagada. (inteira, completa, total)
o Toda casa deve ter segurança. (cada, qualquer)
• 8. Com o numeral ambos (ambas) usa-se o artigo:
•
o Ambas as partes chegaram a um acordo. (ambas = as duas)
Não se emprega o artigo
• 1. Com a palavra casa e terra não especificada:
o Venho de casa.
o Passei em casa. Não estavam em casa.
o Vou para casa.
o Os marinheiros permaneceram em terra.
Porém:
• Venho da casa do meu amigo.
• Estivemos na casa do meu amigo.
• Estivemos na casa de parentes.
• Estive na terra da minha avó.
• 2. Depois do pronome relativo cujo não se usa artigo:
•
o Visitei um artista cujos quadros são famosos.
• 3. Os provérbios em geral dispensam o artigo:
•
o Filho de peixe, peixinho é.
o Tempo é dinheiro.
o Casa de ferreiro, espeto de pau.
Observe que, na linguagem jornalística, é comum a omissão dos artigos nas manchetes e títulos de artigos e notícias.
Artigos em outros idiomas
• Em inglês, existem apenas três artigos: um definido (the) e dois indefinidos ("a" se o substantivo começa por um som consonantal, "an" se começa por um som vocálico). O pronome indefinido "some" também é reconhecido como artigo indefinido pela gramática inglesa.
• Em espanhol e francês, existem apenas contrações de preposições com artigos definidos masculinos
• Em italiano há dois artigos para o masculino: "lo", para palavras iniciadas em "s", "z" ou "gn" (plural: "gli"), e "il" para os demais casos (plural: "i"). Para o feminino só existe o artigo "la". Os artigos se combinam com várias preposições e são declináveis em seis casos: nominativo, genitivo, partitivo, dativo, comitativo e superessivo. O genitivo ("del", "della", "dello") também serve como artigo indefinido.
• Em alemão, grego existe um artigo para cada gênero, cada número e cada caso. A flexão de caso, diferentemente do que acontece em português, não resulta da contração com preposições.
• Nas línguas eslavas não existem artigos com exceção de búlgaro e macedônio com artigos pospostos.
• Em latim não existe artigo. A forma definida é representada pelo substantivo solto, e a forma indefinida é representada por pronomes indefinidos.
• Em sueco, há dois artigos definidos: "den" (para o gênero comum) e "det" (para o gênero neutro), mas só aparecem quando o substantivo está acompanhado de algum adjunto adnominal, por exemplo: "a casa" se diz apenas "huset", mas "a casa preta" se diz "det svart huset".
• Em finlandês não existe artigo. A forma definida e a forma indefinida são determinadas pela posição das palavras na frase. Por exemplo: "kukka on pöydallä" significa "a flor está sobre a mesa", enquanto "pöydälla on kukka" significa "existe uma flor em cima da mesa" (o nominativo de "mesa" é "pöydä").
• O romeno é o único dos idiomas de origem latina que não tem artigo definido. A forma definida acontece de maneira semelhante à do sueco.
Observações
De acordo com a gramática normativa do português, não se usa artigo depois da palavra "cujo" e suas derivações (cuja, cujos, cujas). Assim: Assisti ao filme cujo título me parecia estranho.
Não se usa artigo também antes da palavra "casa" quando entendida como o próprio lar. Deste modo: Estou em casa. Estou na casa de uma amiga.
Muitas vezes, estas categorias criadas pelas gramáticas para tentar normatizar/descrever as línguas não dão conta de explicar todos os fenômenos lingüísticos possíveis. Em alguns casos, o artigo pode indicar também certa familiaridade. Ex: "Bial é um apresentador de TV" e "O Bial é meu amigo desde a quarta série".
O artigo, diante de qualquer palavra, relacionando-se a ela, transforma-a em substantivo
Artigos são palavras que precedem aos substantivos (ou seja vem antes dos substantivos) para determiná-lo ou indeterminá-lo.
Os artigos definidos (o, a, os, as), de modo geral, indicam seres determinados, conhecidos da pessoa que fala ou escreve.
• Falei com o médico.
• Já encontramos os livros perdidos.
Os artigos indefinidos (um, uma , uns, umas) indicam os seres de modo vago, impreciso.
• Uma pessoa lhe telefonou.
• Uns garotos faziam barulho na rua.
Os artigos definidos são declináveis, podendo se combinar com algumas preposições, formando os seguintes casos:
• Genitivo: do, da, dos, das (preposição "de")
• Locativo: no, na, nos, nas (preposição "em")
• Dativo: ao, à, aos, às (preposição "a")
• Ablativo: pelo, pela, pelos, pelas (preposição "por")
• Comitativo (em desuso): co, coa, cos, coas (preposição "com")
Observações sobre alguns empregos dos artigos.
• 1. O artigo definido, no singular, pode indicar toda a espécie:
•
o A águia enxerga das alturas.
o O homem é mortal.
• 2. É facultativo (opcional) o uso do artigo com os pronomes possessivos:
•
o Sua intenção era das melhores.
o A 'sua intenção era das melhores.
• 3. Os nomes próprios podem vir com artigo:
•
o Os Oliveiras vêm jantar conosco.
o O Antônio é bom pedreiro.
• 4. Muitos nomes próprios de lugares admitem o artigo, outros não:
• a Bahia, o Amazonas, Santa Catarina, Goiás, os Andes.
• 5. O artigo indefinido pode realçar (dar intensidade a) uma idéia:
Ele falava com uma segurança que impressionava a todos!
•
o Era uma euforia, uma festa, como jamais se viu!
• 6. O indefinido pode, também, dar idéia de aproximação:
•
o Eu devia ter uns quinze anos, quando isso aconteceu.
• 7. A palavra todo(a) pode variar do sentido, se vier ou não acompanhada de artigo:
•
o Toda a casa ficou alagada. (inteira, completa, total)
o Toda casa deve ter segurança. (cada, qualquer)
• 8. Com o numeral ambos (ambas) usa-se o artigo:
•
o Ambas as partes chegaram a um acordo. (ambas = as duas)
Não se emprega o artigo
• 1. Com a palavra casa e terra não especificada:
o Venho de casa.
o Passei em casa. Não estavam em casa.
o Vou para casa.
o Os marinheiros permaneceram em terra.
Porém:
• Venho da casa do meu amigo.
• Estivemos na casa do meu amigo.
• Estivemos na casa de parentes.
• Estive na terra da minha avó.
• 2. Depois do pronome relativo cujo não se usa artigo:
•
o Visitei um artista cujos quadros são famosos.
• 3. Os provérbios em geral dispensam o artigo:
•
o Filho de peixe, peixinho é.
o Tempo é dinheiro.
o Casa de ferreiro, espeto de pau.
Observe que, na linguagem jornalística, é comum a omissão dos artigos nas manchetes e títulos de artigos e notícias.
Artigos em outros idiomas
• Em inglês, existem apenas três artigos: um definido (the) e dois indefinidos ("a" se o substantivo começa por um som consonantal, "an" se começa por um som vocálico). O pronome indefinido "some" também é reconhecido como artigo indefinido pela gramática inglesa.
• Em espanhol e francês, existem apenas contrações de preposições com artigos definidos masculinos
• Em italiano há dois artigos para o masculino: "lo", para palavras iniciadas em "s", "z" ou "gn" (plural: "gli"), e "il" para os demais casos (plural: "i"). Para o feminino só existe o artigo "la". Os artigos se combinam com várias preposições e são declináveis em seis casos: nominativo, genitivo, partitivo, dativo, comitativo e superessivo. O genitivo ("del", "della", "dello") também serve como artigo indefinido.
• Em alemão, grego existe um artigo para cada gênero, cada número e cada caso. A flexão de caso, diferentemente do que acontece em português, não resulta da contração com preposições.
• Nas línguas eslavas não existem artigos com exceção de búlgaro e macedônio com artigos pospostos.
• Em latim não existe artigo. A forma definida é representada pelo substantivo solto, e a forma indefinida é representada por pronomes indefinidos.
• Em sueco, há dois artigos definidos: "den" (para o gênero comum) e "det" (para o gênero neutro), mas só aparecem quando o substantivo está acompanhado de algum adjunto adnominal, por exemplo: "a casa" se diz apenas "huset", mas "a casa preta" se diz "det svart huset".
• Em finlandês não existe artigo. A forma definida e a forma indefinida são determinadas pela posição das palavras na frase. Por exemplo: "kukka on pöydallä" significa "a flor está sobre a mesa", enquanto "pöydälla on kukka" significa "existe uma flor em cima da mesa" (o nominativo de "mesa" é "pöydä").
• O romeno é o único dos idiomas de origem latina que não tem artigo definido. A forma definida acontece de maneira semelhante à do sueco.
Observações
De acordo com a gramática normativa do português, não se usa artigo depois da palavra "cujo" e suas derivações (cuja, cujos, cujas). Assim: Assisti ao filme cujo título me parecia estranho.
Não se usa artigo também antes da palavra "casa" quando entendida como o próprio lar. Deste modo: Estou em casa. Estou na casa de uma amiga.
Muitas vezes, estas categorias criadas pelas gramáticas para tentar normatizar/descrever as línguas não dão conta de explicar todos os fenômenos lingüísticos possíveis. Em alguns casos, o artigo pode indicar também certa familiaridade. Ex: "Bial é um apresentador de TV" e "O Bial é meu amigo desde a quarta série".
O artigo, diante de qualquer palavra, relacionando-se a ela, transforma-a em substantivo
Assinar:
Postagens (Atom)